Ópera “Suor Angelica” ganha montagem feminina no Recife e debate opressão, maternidade e resistência
Adaptação da obra de Giacomo Puccini ocupa o Teatro de Santa Isabel em três apresentações gratuitas, de 25 a 27 de setembro, reunindo elenco e equipe artística majoritariamente femininos
O Teatro de Santa Isabel, no Recife, recebe entre os dias 25 e 27 de setembro uma nova montagem de “Suor Angelica”, ópera de Giacomo Puccini que, nesta adaptação pernambucana, coloca a experiência feminina no centro da cena. Intitulado “Suor Angelica: Resistência e Arte das Cantoras do Recife”, o espetáculo terá três apresentações gratuitas e reúne cantoras líricas e estudantes de canto da capital e da Região Metropolitana.
Com direção musical e regência de Hadassa Rossiter e direção cênica e concepção de Rose Mary Martins, a produção revisita uma das obras mais dramáticas de Puccini a partir de questões que permanecem presentes no cotidiano das mulheres.
A trama acompanha Angelica, jovem enviada para um convento depois de engravidar fora do casamento e ser rejeitada pela própria família. Isolada do filho e submetida às convenções sociais de seu tempo, a personagem atravessa conflitos marcados pela maternidade, culpa, luto, exclusão e desejo de liberdade.
Na montagem apresentada no Recife, esses elementos ganham uma leitura contemporânea. A produção propõe estabelecer pontes entre a história da protagonista e discussões atuais sobre opressão patriarcal, autonomia feminina, maternidade e resistência às imposições sociais.
Um dos recursos adotados para aproximar a obra do público é a presença de uma narradora, interpretada por Isadora de Alencar. A personagem conduz a audiência por aspectos da história e contribui para contextualizar os acontecimentos, tornando a narrativa operística mais acessível a espectadores que eventualmente estejam tendo o primeiro contato com o gênero.
O papel de Angelica será dividido entre as cantoras Karla Karolla e Yane Ramalho. Karla também responde pela coordenação geral do projeto, concebido com o objetivo de fortalecer a produção lírica pernambucana e ampliar a visibilidade das mulheres que atuam na ópera.
A equipe reúne ainda Andréia Rocha, ao piano, e Taciana Gomes, responsável pela preparação corporal. A realização é da 2K Produções.
Formação de novos públicos
Além das apresentações abertas ao público, o projeto terá uma ação voltada para estudantes da rede pública. No dia 25 de setembro, às 16h, será realizado um ensaio geral aberto, seguido de uma roda de conversa com integrantes da produção.
A atividade pretende proporcionar aos estudantes uma aproximação com os processos de criação de uma montagem operística e com diferentes áreas das artes da cena, possibilitando o contato direto com artistas e profissionais envolvidos no espetáculo.
Ao transportar para o presente uma obra composta no início do século XX, a produção propõe também discutir a permanência de conflitos sociais presentes na trajetória de Angelica. A montagem utiliza a ópera como ponto de partida para refletir sobre as formas de controle exercidas sobre as mulheres e sobre a arte como espaço de expressão e resistência.
O projeto conta com apoio do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC) e da Fundação de Cultura da Cidade do Recife.
Foto: Daniel Marcelino
Serviço
Suor Angelica: Resistência e Arte das Cantoras do Recife
Datas e horários:
25 de setembro, às 20h
26 de setembro, às 20h
27 de setembro, às 19h
Local: Teatro de Santa Isabel
Praça da República, s/n – Santo Antônio, Recife (PE)
Entrada: gratuita
Ensaio geral aberto e roda de conversa com estudantes da rede pública:
25 de setembro, às 16h
Direção musical e regência: Hadassa Rossiter
Direção cênica e concepção: Rose Mary Martins
Coordenação geral: Karla Karolla
Pianista: Andréia Rocha
Preparação corporal: Taciana Gomes
Angelica: Karla Karolla e Yane Ramalho
Narração: Isadora de Alencar
Realização: 2K Produções

