MAM Rio recebe “Projeto parquinho”, de Andréa Hygino, para pensar educação e liberdade
Em cinco estruturas que combinam brinquedos de parquinho e cadeiras escolares, a artista questiona os mecanismos de controle e as regras que moldam os processos de aprendizagem.
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) apresenta, de 17 de outubro de 2026 a 14 de março de 2027, Projeto parquinho, instalação inédita da artista visual, arte-educadora e professora Andréa Hygino. Com curadoria de Phelipe Rezende, a exposição integra a programação do Espaço Petrobras, iniciativa dedicada à apresentação de trabalhos desenvolvidos especialmente para o foyer do museu.
A instalação é formada por cinco estruturas que aproximam dois universos tradicionalmente associados à infância: os equipamentos de recreação e as cadeiras escolares. A combinação resulta em objetos que remetem a brinquedos de um parquinho, mas cuja configuração impede sua utilização. A contradição entre aparência e funcionalidade constitui o ponto de partida da obra.
Ao transformar equipamentos destinados à brincadeira em estruturas inutilizáveis, Hygino estabelece uma relação entre as formas de organização do espaço escolar e os mecanismos de disciplina que atravessam a educação. A proposta desloca o olhar para as regras que orientam a experiência de aprendizagem e para os comportamentos que são estimulados, condicionados ou restringidos ao longo da formação.
O trabalho explora a tensão entre a função prevista para determinado objeto e a impossibilidade de realizá-la. Assim como os brinquedos de um parque sugerem movimentos específicos, como balançar, deslizar e subir, a escola estabelece códigos de conduta, organiza rotinas e acompanha o desenvolvimento dos estudantes. Na instalação, essa lógica é confrontada pela impossibilidade de seguir as instruções implícitas nos próprios objetos.
A composição monocromática e a presença das estruturas metálicas das cadeiras reforçam o contraste entre imobilidade e movimento. O visitante encontra elementos que evocam a experiência lúdica, mas que, em vez de permitir a brincadeira, evidenciam seus limites. A obra articula, assim, o desejo de experimentar e a frustração provocada pela interdição.
Uma investigação sobre educação e desobediência
Projeto parquinho dá continuidade a uma pesquisa desenvolvida por Andréa Hygino há mais de uma década, dedicada às relações entre educação, formação e disciplinamento. Seu trabalho investiga os condicionamentos presentes nos processos pedagógicos e as possibilidades de questionamento dessas estruturas, tomando a sala de aula como referência para pensar outros espaços de convivência e aprendizagem.
As experiências pessoais da artista também atravessam essa investigação. As lembranças da infância, especialmente a escola que sua mãe mantinha em casa, dialogam com sua trajetória profissional como professora e artista e com as questões relacionadas à educação pública brasileira. Em sua produção, a desobediência estudantil aparece como possibilidade de crítica, experimentação e criação.
A exposição também prevê a distribuição de materiais pedagógicos a grupos escolares. Por meio de uma série de atividades, a iniciativa pretende estimular os participantes a investigar outras maneiras de brincar, ampliando a reflexão proposta pela instalação para experiências coletivas de aprendizagem.
Trajetória artística
Andréa Hygino é bacharel em Artes Visuais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestre em Linguagens Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutoranda em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Ao longo de sua trajetória, participou de exposições no Instituto Tomie Ohtake, no Paço Imperial, na Galeria Antônio Sibassoly e na Kunstverein Bielefeld. Também integrou programas de residência artística no JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia, no Bag Factory Artists’ Studios, no Artistes en Residence e no Silo – Arte e Latitude Rural.
Entre os reconhecimentos recebidos estão o 3º Prêmio SeLecT de Arte e Educação, na categoria Camisa Educação, em trabalho realizado em coautoria com Luiza Coimbra; o Prêmio FOCO ArtRio 2022; e o Prêmio PIPA 2025. Em 2025, integrou a equipe curatorial da 14ª Bienal do Mercosul, na função de curadora educativa.
Serviço
Projeto parquinho – Andréa Hygino
Local: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Espaço Petrobras, foyer.
Período: 17 de outubro de 2026 a 14 de março de 2027.
Curadoria: Phelipe Rezende.
Endereço: Avenida Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro.
Patrocínio: Petrobras.





