Ação solidária na capital mineira distribui quatro toneladas de alimentos da reforma agrária para territórios vulneráveis
Realizada durante evento na Serraria Souza Pinto, iniciativa do Mãos Solidárias e do MST integrou produção agroecológica, arte e debates sobre soberania alimentar.

Sob acordes de tambores e expressões de ordem coletiva, a tarde do último sábado (12) foi marcada por uma ampla mobilização de partilha e articulação política na capital de Minas Gerais. Integrando a programação da VI Feira Estadual da Reforma Agrária, sediada na Serraria Souza Pinto, o ato solidário organizado pelo projeto Mãos Solidárias em parceria com assentamentos e produtores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) destinou quatro toneladas de mantimentos a territórios urbanos vulneráveis.
A iniciativa teve como eixo central o combate à fome nas áreas periféricas por meio da distribuição de gêneros alimentícios cultivados pelo campesinato. Para viabilizar a ação, os feirantes presentes na VI Feira Estadual da Reforma Agrária contribuíram com 5% de sua produção, estabelecendo um canal direto de abastecimento e diálogo entre o campo e os centros urbanos.
Os mantimentos foram repassados a vinte territórios e instituições, alcançando cozinhas solidárias e comunidades em situação de vulnerabilidade social, alimentar e nutricional. Para Gabriela dos Anjos, integrante da coordenação do Mãos Solidárias e responsável pelas cozinhas solidárias, a entrega ultrapassa a dimensão assistencial, figurando como um ato de conscientização pública que posiciona a alimentação saudável no centro do debate político.
Segundo a coordenadora, o propósito da intervenção é fazer com que a população compreenda a origem do que consome, reconheça seu direito à alimentação e entenda que a erradicação da fome exige a transformação das estruturas sociais que a geram. A perspectiva encontrou eco na atuação de lideranças comunitárias da linha de frente, como a contramestra Flávia Soares, da Associação Cultural Eu Sou Angoleiro.
Para Flávia Soares, a cooperação com o Mãos Solidárias conecta-se diretamente à ancestralidade e à força de mulheres negras e agricultoras. A representante destacou que os donativos auxiliaram na alimentação dos participantes do encontro Aldeia Quilombo no Século XXI, consolidando o projeto como base de apoio a favelas e comunidades periféricas.
A programação integrou ainda a intervenção artística Mesa de Thereza, conduzida pela artista plástica e professora da Escola Guignard da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), Thereza Portes. Marcada pela partilha de uma rosca de oito metros acompanhada de café coado na hora, a atividade convidou o público a bordar uma grande toalha branca utilizando agulha e linha, transformando o tecido em uma cartografia afetiva e coletiva.
A centralidade da solidariedade na práxis política do MST foi enfatizada por Guê Oliveira, militante do Mãos Solidárias e integrante do Coletivo de Cultura do MST, ao sintetizar a atuação do movimento com o princípio de que os trabalhadores compartilham desafios comuns, independentemente de fronteiras geográficas. A organização destacou que essa perspectiva internacionalista se traduz em brigadas permanentes e campanhas humanitárias globais.
Como exemplo dessa articulação internacional, o movimento recordou o envio de mais de sete toneladas de medicamentos a Cuba em maio de 2026, por meio da campanha Ajude Cuba, em resposta ao bloqueio econômico enfrentado pela ilha. Da mesma forma, missões de cooperação e intercâmbio político foram desenvolvidas na Venezuela, incluindo a mobilização de brigadistas e a participação no 14º Encontro Nacional do MST, realizado em Salvador com delegações de vin22 países em solidariedade ao povo venezuelano.
Fonte: mst.org.br / MST
