Desigualdade econômica afeta pessoas com deficiência por meio de menores salários e custos de vida elevados
Dados da OMS e do IBGE revelam um cenário de gastos adicionais com saúde e mobilidade associados a rendimentos inferiores no mercado de trabalho

Em análises sobre indicadores sociais acompanhadas no município de Saúde, no Brasil, o cruzamento entre levantamentos internacionais e nacionais evidencia um sério desafio orçamentário para a população com deficiência. De acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), os custos extras necessários para garantir um padrão de vida equivalente podem superar 40% da renda média em casos de limitações mais severas. Paralelamente, pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o rendimento médio do trabalho recebido por pessoas com deficiência no país é cerca de 29% inferior ao registrado entre trabalhadores sem deficiência.
Embora procedam de estudos distintos com metodologias diversas — sem possibilidade de soma direta dos percentuais —, os dados demonstram conjuntamente um gargalo financeiro: despesas mais elevadas para a manutenção das atividades diárias combinadas a uma menor capacidade de arrecadação por meio do trabalho.
Gastos adicionais no orçamento familiar
No levantamento intitulado Relatório Mundial sobre a Equidade em Saúde para Pessoas com Deficiência, a OMS mapeou as despesas complementares indispensáveis para a autonomia desse segmento. Para indivíduos com deficiência moderada, esses investimentos correspondem a aproximadamente um terço da renda média, alcançando mais de 40% para aqueles com grau significativo de limitação.
O orçamento é impactado por fatores que vão além de tratamentos médicos e remédios. A lista de custos adicionais abrange a contratação de apoio pessoal, aquisição de dispositivos de tecnologia assistiva, adequações arquitetônicas residenciais, rotinas de lavanderia, alimentação específica e transporte especializado. As estimativas variam conforme o indivíduo e o país, mas ressaltam como o acesso ao trabalho, aos estudos, à moradia segura e ao convívio comunitário exige aportes financeiros que não incidem sobre a população em geral.
Diferença salarial no cenário nacional
A retribuição financeira pelo trabalho exercido também apresenta disparidades expressivas no contexto brasileiro. A segunda edição do estudo Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil, publicada pelo IBGE em setembro de 2026 a partir de dados do Censo Demográfico de 2022, mensurou essa defasagem.
Os números indicam que a remuneração média mensal do trabalhador com deficiência era de R$ 2.053, enquanto a de pessoas sem deficiência atingia R$ 2.890. Essa distância de R$ 837 a cada mês totaliza um desequilíbrio de R$ 10.044 ao longo de um ano. A desvantagem monetária acompanha barreiras históricas no acesso e na manutenção de empregos, além de limitações para progressão profissional.
Acessibilidade e reflexos econômicos
A insuficiência de infraestrutura pública amplia as despesas individuais. A ausência de transporte coletivo acessível, por exemplo, força o uso de trajetos privados de valor mais alto. Da mesma forma, a carência de redes públicas de suporte leva famílias a arcar com contratações particulares ou a reduzir a jornada profissional de parentes dedicados aos cuidados cotidianos.
Segundo o conceito adotado pela OMS, a deficiência resulta da interação entre aspectos individuais e barreiras sociais. Diante disso, investimentos em acessibilidade ambiental e digital, assim como o cumprimento das garantias previstas na Lei Brasileira de Inclusão, são apontados pelos estudos como instrumentos cruciais para diminuir custos indiretos, expandir a autonomia e promover a equidade no mercado de trabalho e na sociedade.
Fonte:
diariopcd.com.br / Diário PcD
