Regente viraliza com exercício vocal para crianças e coloca a musicalização em evidência
Vídeo publicado pela regente Jaíne Azevedo ultrapassa 3 milhões de visualizações ao transformar coordenação, percepção auditiva, movimento e canto em uma experiência coletiva que conquistou as redes sociais
Um exercício aparentemente simples de musicalização foi suficiente para prender a atenção de milhões de pessoas nas redes sociais. A regente e educadora musical Jaíne Azevedo, que publica seu trabalho no Instagram pelo perfil @jaineazevedo.choir, viralizou ao mostrar uma atividade vocal realizada com seus alunos.
No vídeo, Jaíne conduz as crianças em uma sequência que combina voz, números, ritmo, movimento e atenção. O público vê apenas a professora executando a dinâmica, enquanto as vozes dos alunos respondem coletivamente, acompanhadas ao piano por Edilaine Monteiro @edi.monteiropianista.
Na legenda, Jaíne apresenta de maneira simples o objetivo pedagógico da atividade: “Vem aprender um exercício com a gente? Para trabalhar coordenação motora, o canto em movimento e percepção auditiva.”

E foi exatamente essa combinação de simplicidade, precisão e envolvimento que transformou uma atividade de sala de aula em fenômeno nas redes. Às 23h01 desta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, o primeiro vídeo já ultrapassava 3 milhões de visualizações e 338 mil curtidas.
A repercussão foi tão grande que uma segunda parte foi publicada logo depois e também ganhou rapidamente o público, superando meio milhão de visualizações. Jaíne apareceu ainda nos stories para agradecer a repercussão e anunciar que pretende publicar novos conteúdos. Em poucos dias, ganhou mais de 30 mil seguidores, aproximando seu perfil da marca de 50 mil.
“Onde me inscrevo para essa aula?”
A repercussão do vídeo também pode ser medida pela quantidade de comentários de usuários interessados em participar da atividade ou reproduzir o exercício. @athosalef escreveu: “Sinto que perdi a melhor aula de todos os tempos.” Já @giuseppe.mcr destacou a condução da atividade: “Genial. Muito bonito ver essa dinâmica acontecendo.”
Entre as manifestações de interesse, @bea.apareciida perguntou: “Onde me inscrevo para essa aula?”. Na mesma linha, @hpedrou afirmou que gostaria de participar de uma atividade semelhante: “Que máximo. Amaria participar de uma aula assim.”
O exercício também passou a ser reproduzido por quem assistiu ao vídeo. @lalaiestuda relatou: “Fiz aqui em casa, quando será a próxima aula?”. Outros comentários chamaram atenção para o nível de concentração exigido pela proposta. @lucianus_winther escreveu: “Na minha cabeça eu dou conta… Mas só na minha cabeça mesmo.” Já @camis.monte contou que conseguiu acompanhar o ritmo, mas se confundiu ao cantar a sequência numérica.
A combinação entre canto, movimento e ritmo também foi mencionada por outros usuários. @barrbaramoura comentou: “Parece que de repente entramos num musical.” E @pedrin_ph_xx afirmou que o vídeo o prendeu “do início até o fim”.
Entre os comentários, houve ainda quem relacionasse a atividade diretamente à educação. @llays.araujo defendeu a presença de iniciativas semelhantes nas escolas públicas e apontou a música como recurso para o desenvolvimento cognitivo e para a interação social.
A repercussão mostra que o interesse despertado pelo vídeo ultrapassou a curiosidade em torno de uma dinâmica musical. Os comentários passaram a discutir também o valor da musicalização como prática educativa, especialmente na infância e na juventude.
Da aluna à educadora
A trajetória de Jaíne Azevedo também ajuda a compreender a naturalidade com que ela aparece conduzindo o grupo. Ela tem uma longa relação com o Instituto Baccarelli, onde começou ainda criança como aluna e posteriormente construiu sua carreira como educadora musical. Registros da instituição mostram sua atuação à frente de grupos corais, e em agosto deste ano ela aparece como regente do Coral Infantojuvenil Baccarelli em programação do Teatro Baccarelli.
Jaíne também atua junto ao Coro Infantil da Osesp. Publicações oficiais da Fundação Osesp a registram como professora assistente do grupo.
Sua própria história é, portanto, um exemplo do potencial de continuidade proporcionado pela educação musical: a criança que teve acesso à formação artística tornou-se profissional e hoje participa da formação de novas gerações.

Quando aprender música também vira brincadeira
Parte do encanto provocado pelo vídeo está justamente no fato de que, para quem observa, a atividade parece uma brincadeira. Para as crianças, porém, há uma série de habilidades sendo trabalhadas ao mesmo tempo: ouvir, memorizar, antecipar, responder, controlar o próprio corpo, perceber o ritmo, acompanhar o grupo e manter a concentração.
É uma demonstração muito clara do lugar que a musicalização pode ocupar na infância e na juventude. A educação musical não se resume a formar instrumentistas ou cantores profissionais. Ela oferece às crianças maneiras diferentes de perceber, organizar e expressar o mundo.
Pesquisas sobre educação musical infantil relacionam essas experiências ao desenvolvimento da atenção, memória, imaginação e de habilidades musicais. Estudos mais recentes também encontram associação entre treinamento musical e aspectos das chamadas funções executivas, como memória de trabalho e flexibilidade cognitiva, embora os efeitos dependam do tipo e da duração das atividades.
No canto coletivo há ainda outra dimensão importante: ninguém faz o exercício sozinho. Cada criança precisa ouvir as demais, respeitar o tempo coletivo e compreender que sua participação interfere diretamente no resultado do grupo. Música, nesse contexto, também é convivência, escuta e cooperação.
Musicalização não é acessório
O sucesso do vídeo também provoca uma reflexão importante sobre o espaço destinado à música na formação de crianças e adolescentes.

Atividades como aquela registrada por Jaíne desenvolvem conteúdos musicais concretos — ritmo, afinação, percepção, pulsação, escuta e coordenação —, mas seu alcance não termina aí. Elas exigem concentração, disciplina, capacidade de responder a estímulos e disposição para construir algo coletivamente.
E existe ainda aquilo que dificilmente cabe em números: o prazer de aprender.
As crianças respondem à professora em grupo, transformando um exercício técnico em jogo. É exatamente essa capacidade de ensinar sem retirar o encantamento da experiência que torna a educação artística tão poderosa.
Talvez seja também a razão de tanta gente ter parado para assistir, repetido a sequência em casa e pedido mais aulas nos comentários.
Em meio a milhões de conteúdos que disputam atenção diariamente nas redes sociais, uma professora, um piano e as vozes de seus alunos conseguiram alcançar milhões de pessoas mostrando algo bastante elementar — e ao mesmo tempo fundamental: aprender música pode ser exigente, divertido, coletivo e profundamente transformador.
Quem quiser acompanhar os próximos exercícios prometidos por Jaíne pode encontrá-la no Instagram em @jaineazevedo.choir.


