Projeto de articulação entre movimento sindical e comunidades originárias é debatido em encontro de jovens em Roraima
Iniciativa busca fortalecer a autonomia econômica, a preservação de territórios tradicionais e a convergência de agendas políticas entre trabalhadores e povos indígenas

A aproximação estratégica entre as organizações sindicais e os povos originários ganhou novo fôlego com a apresentação do projeto Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho. A iniciativa foi detalhada aos participantes durante a XI Assembleia Estadual da Juventude Indígena de Roraima, realizada no dia 22 de setembro de 2026. O evento, promovido pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR), ocorreu na Comunidade Indígena Camará, situada na região do Baixo Cotingo, dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
O projeto é uma realização conjunta da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Condsef/Fenadsef, desenvolvida em parceria com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Durante a mesa temática intitulada Fortalecendo a economia e sustentabilidade indígena, lideranças e jovens debateram maneiras de estreitar os laços entre o movimento de trabalhadores organizados e as comunidades tradicionais, com foco na autonomia econômica e na defesa de agendas comuns de luta.
Representando a entidade na atividade, a diretora da Executiva do Sindsep — órgão sediado no Distrito Federal —, Aline Maciel, apontou a relevância da aliança no cenário político atual. A participação ocorreu por indicação da diretora da Condsef/Fenadsef, Mônica Carneiro, e do secretário-geral da Confederação, Sérgio Ronaldo da Silva. Segundo a representante, o momento político é marcado por debates que ameaçam simultaneamente os direitos trabalhistas, por meio do avanço da pejotização, e a desconstitucionalização dos direitos originários.
A estrutura do projeto Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho divide-se em três frentes principais. A primeira consiste na criação de uma cesta comercial contendo produtos originários para a comercialização direta nos sindicatos. A segunda frente contempla a realização de exposições e debates voltados à diversidade do trabalho e às pautas de resistência dessas populações. Por fim, o terceiro eixo prevê o lançamento de uma publicação acadêmica e documental que reunirá experiências práticas de organização laboral indígena em diferentes regiões do país.
Para Alex Capuano, integrante da Secretaria Nacional de Economia Solidária da CUT Brasil, o fomento às economias tradicionais representa um pilar fundamental da solidariedade econômica. O representante destacou que iniciativas baseadas na cooperação e na autonomia valorizam saberes ancestrais e a produção coletiva, configurando-se como alternativas viáveis e necessárias.
A concepção central da iniciativa parte do princípio de que a defesa das garantias laborais e a proteção dos territórios tradicionais compartilham convergências essenciais. A demarcação territorial é tratada pelo projeto como a base material indispensável para a manutenção física, social, cultural e espiritual das etnias, além de atuar diretamente no enfrentamento de crises climáticas, ambientais, hídricas e alimentares, conforme pontuou o coordenador político da Apib, Paulino Montejo.
A XI Assembleia Estadual da Juventude Indígena de Roraima reuniu representantes de diversas etnias vindas das 11 etnorregiões do estado, estruturando-se como um polo de formação, intercâmbio de experiências e articulação política. A programação do encontro estendeu-se até o dia 25 de setembro de 2026, com oficinas, debates e apresentações culturais, tendo sua atividade de encerramento sediada na capital estadual, na sede da CUT-RR, em Boa Vista. Na ocasião, os participantes receberam kits institucionais alusivos ao projeto debatido ao longo da semana.
Fonte:
sindsep-pe.com.br / SINDSEP-PE
