Poeta maranhense Bioque Mesito lança o livro “Autoficção sobre os olhares perdidos” com foco nos dilemas humanos

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Em entrevista, o escritor nativo de São Luís discute sua trajetória, a recusa à chamada “poesia da palavra” e os limites da linguagem na contemporaneidade.

O cenário literário nacional ganha uma nova obra voltada às reflexões sobre o tempo presente com o lançamento de Autoficção sobre os olhares perdidos, editado pela Editora Patuá. Escrito pelo poeta Bioque Mesito, nascido em São Luís, no Maranhão, o volume propõe uma imersão nos conflitos e dilemas existenciais provocados pelas transformações sociais e políticas da atualidade, definidos pelo autor como manifestações de uma “selvageria contemporânea”.

Natural de São Luís, onde nasceu em 3 de fevereiro de 1972, Bioque Mesito construiu uma sólida trajetória na poesia brasileira. Entre suas publicações anteriores destacam-se A inconstante órbita dos extremos (Editora Cone Sul-SP, 2001), obra vencedora na categoria Poesia do IV Prêmio Universitário de Poesia e reeditada pela Editora Penalux em 2021; A anticópia dos placebos existenciais (Edfunc-MA, 2008), que conquistou o 1º lugar no XXXI Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís – Prêmio Sousândrade de Poesia em 2007; e Revoada de interrogações (Editora Litteralux, 2025), galardoado com o Prêmio Ferreira Gullar de 2025 pela Academia Maranhense de Letras.

O autor também assina A desordem das coisas naturais (2018), Odisseia do nada registrado (2020) e Uma estranha maneira de se comparar amanhãs (2021), todos pela Editora Penalux, além de A montanha diária, lançado pela Caravana em 2025. Em seu livro mais recente, Autoficção sobre os olhares perdidos, o poeta afasta-se de artifícios metalinguísticos voltados unicamente para a própria estrutura do fazer literário.

Segundo o escritor, a observação do cotidiano e das contradições humanas serve como argamassa principal para sua escrita, contrapondo-se ao que classifica como “poesia da palavra” — tendência que, em sua visão, esgota-se na reflexão sobre o próprio umbigo poético e que frequentemente recebe chancela de críticos e premiações literárias. A proposta de sua poética é buscar caminhos para a construção de um mundo mais tolerante, mantendo uma perspectiva fundamentada no otimismo diante do entorno.

No tocante à linguagem, Bioque Mesito utiliza filtros variados que transitam pelo discurso, pela música e pela semiologia, sem restrições temáticas ou preconceitos com termos específicos, a exemplo de conotações eróticas desvinculadas de convenções morais tradicionais. Para ele, a criação literária deve servir primordialmente para auxiliar na compreensão da realidade e da existência, resgatando a proximidade com a vida real em detrimento de metáforas abstratas ou distantes.

O autor também faz restrições ao uso indiscriminado de ferramentas tecnológicas na criação literária. Em sua avaliação, os escritores devem pautar suas produções na inteligência emocional e recorrer às inteligências artificiais estritamente como suporte técnico e pontual para localização de termos, sob o risco de comprometer a essência do trabalho artístico.

Defendendo a resiliência e a simplicidade como marcas do fazer poético, o maranhense sintetiza sua visão sobre a identidade do criador resgatando trechos de sua obra, como o poema Mínimo máquina, publicado originalmente em Odisseia do nada registrado e dedicado ao poeta Hagamenon de Jesus.


Fonte:
revistaforum.com.br / Revista Fórum

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