Nova metodologia do Selo UNICEF prioriza equidade étnico-racial na Amazônia Legal
Medida anunciada em Brasília integra o ciclo 2025-2028 da iniciativa e busca combater barreiras no acesso a serviços públicos para crianças e adolescentes indígenas, quilombolas e negros.

Em declaração concedida em Brasília, a representante adjunta do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Brasil, Layla Saad, anunciou que a nova edição do Selo UNICEF passa a incorporar a equidade étnico-racial como eixo central de sua metodologia. A medida, voltada aos municípios da Amazônia Legal — região que abrange estados como o Acre —, tem o propósito de combater disparidades históricas e assegurar a inclusão de crianças e adolescentes indígenas, quilombolas e negros nas políticas públicas locais.
O anúncio foi feito durante a participação da gestora no programa Entrevistas, exibido pelo canal Amazon Sat e produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal. Sob o comando do jornalista e apresentador Wellinton Lopes, a edição detalhou a atuação da organização humanitária na região, destacando que a abordagem já está em vigor no ciclo metodológico que compreende o período de 2025 a 2028.
Segundo o UNICEF, meninas e meninos pertencentes a esses grupos populacionais enfrentam obstáculos severos e desiguais no acesso a direitos fundamentais, como saúde, education, proteção social e oportunidades de desenvolvimento. A organização aponta que, muitas vezes, as estruturas do poder público falham em alcançar essas comunidades de maneira equitativa.
“Esse novo componente parte da realização de políticas públicas que não conseguem realmente chegar em todas as crianças e adolescentes da mesma forma. É realmente dar uma visibilidade para crianças e adolescentes que, por vários motivos, estão nessa questão de marginalização, seja em relação a oportunidades, direitos, entre outros. Então, pela primeira vez, esse componente entra como uma parte fundamental e principal da metodologia do Selo UNICEF”, pontuou Layla Saad.
Com a adoção das novas diretrizes, os municípios que implementam as estratégias do selo passam a se alinhar a agendas de âmbito nacional, a exemplo do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR), vinculado ao Ministério da Igualdade Racial (MIR), e da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), sob a alçada do Ministério dos Povos Indígenas.
Para auxiliar os gestores municipais e suas equipes na aplicação prática das diretrizes, o UNICEF desenvolveu o Guia para abordagem de equidade étnico-racial nas políticas públicas municipais. O documento reúne orientações técnicas, dados estatísticos e práticas voltadas a áreas prioritárias como nutrição, saneamento básico, resiliência climática e salvaguarda contra violências.
Além da execução temática, a metodologia estende-se ao planejamento financeiro das administrações locais. De acordo com a representante, o processo de alocação orçamentária municipal passa a contemplar um olhar direcionado para mitigar déficits em áreas historicamente marginalizadas.
“Todo tema de planejamento e orçamento a nível municipal é uma novidade também do selo. A gente olha para o processo de planejamento e alocação orçamentária também com esse olhar étnico-racial, quanto do orçamento será direcionado para áreas que são menos contempladas nas políticas públicas. Tudo para reduzir desigualdades, essa é a nossa intenção, que a raça, cor, onde você mora, religião e gênero não podem ser motivos determinantes para suas oportunidades e acesso à serviços na vida”, concluiu.
Serviço
Evento: Exibição de entrevista sobre a nova edição do Selo UNICEF e equidade étnico-racial no programa Entrevistas (canal Amazon Sat)
Horários de exibição: Episódio inédito às terças-feiras, às 19h30. Reexibições: quartas-feiras, às 9h; quintas-feiras, às 13h30; sextas-feiras, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas-feiras, às 19h30.
Fuso horário: Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT-4).
Fonte:
portalamazonia.com / Portal Amazônia
