Moradores da comunidade Jardim Zaíra debatem projetos de urbanização e futuro territorial em Mauá
Iniciativa integrada ao programa federal Periferia Viva promoveu encontros participativos para elencar prioridades de melhoria urbana e ações de curto prazo na região de São Paulo.

Moradores e moradoras da comunidade Jardim Zaíra/Chafick-Macuco, localizada no município de Mauá, no estado de São Paulo, participaram entre os meses de agosto e setembro de uma série de encontros voltados ao planejamento do futuro da região e à qualificação de espaços públicos. As reuniões debateram temas essenciais para o cotidiano local, englobando infraestrutura, mobilidade urbana, opções de lazer e ampliação de serviços públicos, além de mapear pontos estratégicos para intervenções urbanísticas de curto prazo.
A iniciativa integra o programa Periferia Viva, estratégia promovida pelo Governo Federal por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No território mauaense, o projeto é executado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) em colaboração direta com a Prefeitura de Mauá, criando canais contínuos de diálogo com a população local para diagnosticar prioridades e fundamentar futuras melhorias estruturais.
Como parte da metodologia participativa, os habitantes foram convidados a projetar o cenário desejado para a comunidade por meio da dinâmica lúdica intitulada “Jornal do Futuro”. As manchetes imaginadas coletivamente evidenciaram demandas por avanços na rede de esgoto, regularização fundiária, eliminação de áreas de risco, ampliação de áreas verdes e de lazer, construção de escolas e creches, oferta de cursos de capacitação profissional, aprimoramento no atendimento de saúde e facilidades de locomoção.
O fortalecimento da articulação social também esteve no centro das expectativas expressas nos jornais fictícios, sintetizadas em títulos como “Associação para os moradores” e “Chafick-Macuco vira referência de organização comunitária”. Durante a atividade, a moradora Vanessa Cristina destacou a amplitude das aspirações populares: “Está sobrando espaço no jornal, temos que sonhar grande”, pontuou.
Para a coordenadora de programas do ONU-Habitat, Ana Carolina Nunes, os resultados obtidos refletem a complexidade das necessidades urbanas. “A proposta do ‘Jornal do Futuro’ foi trazer uma dinâmica mais lúdica e diferente para as reuniões, criando um espaço para que as pessoas pudessem imaginar e expressar, de forma criativa, como gostaria de ver a comunidade no futuro. E as propostas reuniram diferentes perspectivas da vida urbana, mostrando que a transformação do território envolve diferentes frentes que vão além das obras de infraestrutura”, avaliou.
Todo o material coletado nessas sessões serve de base para a formulação do Plano de Ação da iniciativa, documento que consolida tanto as diretrizes globais de urbanização quanto as demandas prioritárias apontadas pelos moradores ao longo de todo o processo participativo.
Além da visão de longo prazo, os debates contemplaram a execução de ações táticas, definidas como intervenções de menor porte focadas na requalificação urbanística imediata de áreas coletivas específicas. Esse modelo de atuação busca estreitar o envolvimento comunitário desde a concepção até a realização e o acompanhamento prático, utilizando frequentemente o formato de mutirões para viabilizar as melhorias.
Na comunidade Chafick-Macuco, as sugestões para essas intervenções rápidas abrangeram reformas em escadarias, implantação de sinalização viária, instalação de guarda-corpos nas margens do córrego, criação de hortas comunitárias, campos de futebol, praças infantis e o aprimoramento da gestão e coleta de resíduos sólidos. Moradores apontaram que a proximidade de equipamentos recreativos é fundamental para o bem-estar familiar.
A moradora Damiana Edna de Melo Lima ressaltou as dificuldades de acesso a áreas distantes e a relevância da mobilização coletiva. “A Pracinha das Flores, o espaço público mais próximo, fica um pouco longe para a gente. Então, tendo um espacinho aqui, fica melhor”, declarou, reforçando que “o mutirão fortalece” a comunidade.
No mesmo sentido, Vanessa Cristina, residente na área há 22 anos, enfatizou o potencial de transformação de um espaço de lazer na entrada de sua rua. “Uma praça bem bonitinha, com equipamento de academia, brinquedo para as crianças, jogos, um lugar de lazer. Um espaço desse tipo poderia ser utilizado por moradores de diferentes idades e contribuir para uma melhor convivência, melhorando a vida de todo mundo”, projetou.
As propostas debatidas passarão por uma fase de consolidação técnica antes da definição e detalhamento das intervenções definitivas. O histórico de atuação do ONU-Habitat no território fundamenta-se em etapas prévias de escuta ativa, mapeamento socioespacial e construção conjunta de diagnósticos, assegurando que o planejamento urbano reflita as necessidades reais e cotidianas da população local.
Fonte:
abcagora.com.br / ABC Agora
espacodopovo.com.br / Espaço do Povo
