Homenagem ao centenário de Max Martins reúne artistas em espetáculo multidisciplinar em Belém
Programação gratuita celebra a obra do poeta paraense com apresentações, lançamento de livro e palestras na capital do Pará
O centenário de nascimento do escritor paraense Max Martins (1926-2009) é o eixo de uma ampla programação cultural gratuita realizada em Belém. A abertura das celebrações ocorre nesta terça-feira (22), às 19h, no Teatro Sesc Ver-o-Peso, com a apresentação do espetáculo lítero-musical Diz (de novo, sempre, outra vez), concebido especialmente para a ocasião por Arthur Nogueira, André Vallias e Age de Carvalho.
A montagem integra o Colóquio Max Martins 100 anos e articula leituras de poemas, canções inéditas e videopoemas. O processo de criação ocorreu à distância, conectando Age de Carvalho em Viena, André Vallias no Rio de Janeiro e Arthur Nogueira em Belém. A apresentação no Teatro Sesc Ver-o-Peso marca o primeiro encontro presencial do trio para ensaios e execução do roteiro, que combina a musicalidade de composições inéditas de Arthur Nogueira sobre textos de Max Martins com as projeções visuais criadas por André Vallias.
Nascido em Belém em 20 de junho de 1926, Max Martins consolidou uma das trajetórias mais influentes da poesia moderna no Pará. Sua estreia literária ocorreu em 1952 com a obra O Estranho. Ao longo de cinco décadas de produção, integrou a geração de intelectuais que renovou o cenário literário paraense ao lado de figuras como Benedito Nunes, Mário Faustino, Haroldo Maranhão e Ruy Barata. Recebeu o Prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo livro Não para consolar, em 1993, e o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Pará (UFPA) em 2001.
A experimentação formal marcou a escrita do poeta, que investigou a disposição espacial dos versos, a fragmentação vocabular e a materialidade visual da página. Conforme aponta André Vallias, o autor acompanhou as vanguardas artísticas com naturalidade, mantendo independência de movimentos dogmáticos. A relação com a paisagem amazônica também ocupou lugar singular em sua trajetória; em entrevista concedida em 1990, o escritor declarou que a região “é que de um modo qualquer me escrevia”, distanciando-se de abordagens regionalistas convencionais e mantendo refúgio na cabana Porto Max, na praia do Marahu, em Mosqueiro.
O acervo do autor, falecido em 2009 aos 82 anos, foi adquirido pela Universidade Federal do Pará em 2010 e encontra-se preservado no Museu da UFPA. A relevância contemporânea da obra é atestada pela coleção de 11 volumes organizada por Age de Carvalho e publicada pela Editora da UFPA.
A programação comemorativa prossegue na quarta-feira (23), às 18h, na Travessia Livraria, situada na Avenida Alcindo Cacela, 1404, no bairro Umarizal, em Belém. Na ocasião, André Vallias participa de conversa com Otávio Guimarães Tavares e realiza sessão de autógrafos para o lançamento da antologia Byron – Poemas, cartas, diários &c. (Editora Perspectiva), obra premiada com o Prêmio Jabuti de Tradução 2025.
Na sexta-feira (25), às 10h, André Vallias ministra a palestra Visualidade e experimentalismo na poesia de Max Martins no Espaço Rui Paranatinga Barata, que abriga o auditório do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPA. O público pode acompanhar os desdobramentos da programação do centenário por meio do perfil oficial @maxmartins100 no Instagram.
Fonte: g1.globo.com / G1
