Estratégia de popularização científica ganha relevância para o fortalecimento da democracia no país

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Especialistas e órgãos federais apontam que a comunicação pública da ciência em Brasília e em todo o território nacional é essencial para enfrentar a desinformação e ampliar a cidadania.

A ciência, a tecnologia e a inovação desempenham uma função estruturante na formação de sociedades inclusivas, sustentáveis e democráticas. Diante de cenários marcados por complexidades globais e locais, como a transição energética, as mudanças climáticas, a segurança alimentar, a inteligência artificial, as emergências sanitárias e o combate à desinformação, o fortalecimento da produção científica precisa vir acompanhado de uma interação intensa com a sociedade, conforme apontam análises divulgadas em Brasília.

Nesse panorama, a popularização e a divulgação científica assumem um papel estratégico. O objetivo vai além da simplificação de conceitos acadêmicos; trata-se de um processo contínuo de comunicação pública baseado no diálogo entre pesquisadores, instituições e a população, valorizando saberes variados e construindo soluções coletivas. A pandemia da COVID-19 evidenciou de maneira definitiva essa necessidade, demonstrando que transmitir informações baseadas em evidências de forma clara protege a saúde pública e consolida a confiança nas instituições.

O ecossistema voltado para essa área no Brasil expandiu-se com o auxílio das plataformas digitais, englobando universidades, escolas, museus e centros de ciência, planetários, jardins botânicos, feiras, olimpíadas científicas, podcasts, vídeos, jogos educativos e projetos de ciência cidadã. Tais iniciativas fomentam o pensamento crítico, a curiosidade e o interesse pelas carreiras científicas, além de integrarem a ciência ao patrimônio cultural do país.

A democratização do conhecimento científico atua como ferramenta indispensável para o exercício da cidadania. Ao ter acesso a dados confiáveis, os cidadãos ampliam sua capacidade de avaliar riscos, compreender problemas complexos e participar de decisões públicas. No entanto, pesquisas sobre a percepção pública da ciência e tecnologia no Brasil, conduzidas ao longo dos últimos anos em parceria com órgãos como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), apontam persistentes desafios relacionados às desigualdades educacionais e ao acesso à informação.

A quinta edição da pesquisa de percepção pública, realizada em 2019 com 2.200 participantes maiores de 16 anos em todas as regiões brasileiras, serviu de base para políticas públicas do setor. Posteriormente, a sexta rodada do levantamento, efetuada em 2023 e com resultados publicados em 2024, ouviu 1.931 pessoas com o intuito de monitorar o comportamento da população e capturar novas fronteiras de consumo de informação e acesso a dados digitais, em colaboração com o Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Historicamente, a inserção da popularização da ciência nas diretrizes governamentais consolidou-se por meio de marcos como as Conferências Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação. Desde a primeira edição, em 1985, a participação social integrou o debate sobre os rumos do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Conferências posteriores ampliaram o escopo para incluir a educação em ciências, museus e o fomento a feiras e olimpíadas. Mais recentemente, a quinta edição do evento reafirmou a cultura científica como requisito essencial para a soberania nacional e o desenvolvimento sustentável.

No âmbito do fomento federal, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) exerce uma atribuição central no apoio a projetos, eventos e na formação de recursos humanos. Um marco importante nessa trajetória foi a criação, em 2007, do Comitê de Assessoramento de Divulgação Científica do CNPq (CA-DC), instância que avalia e acompanha pedidos de financiamento e atesta a consolidação da área como um campo científico interdisciplinar.

Diante dos desafios do século XXI, gestores e pesquisadores enfatizam que investir na comunicação pública da ciência e tecnologia é garantir que o conhecimento financiado com recursos públicos retorne à sociedade, fortalecendo a democracia e preparando o país para responder às demandas do presente e do futuro.


Fonte:
gov.br / Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

Bom Jornal I.A

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