Espécie raríssima de anfíbio com menos de dois centímetros é localizada em Nova Friburgo

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Sapo-pulga foi encontrado por estudantes de biologia em reserva na região serrana fluminense, ampliando o mapa de distribuição conhecido do animal.

Uma atividade prática de campo realizada em Nova Friburgo, município situado na região serrana do estado do Rio de Janeiro, resultou no registro de uma espécie de anfíbio considerada rara e de dimensões extremamente reduzidas. O achado foi protagonizado por discentes do curso de biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e por integrantes do Instituto CiênciasBio.

O exemplar catalogado pertence à espécie Brachycephalus clarissae, popularmente conhecida como sapo-pulga. Conforme as informações técnicas, o espécime mede menos de 1,1 centímetro de comprimento. Os machos da categoria alcançam aproximadamente 9,6 milímetros, enquanto as fêmeas podem chegar a 10,9 milímetros. O tamanho diminuto, somado à coloração amarelada do corpo, às manchas avermelhadas na região ventral, à faixa escura nas laterais e a uma marca em formato de X no dorso, torna a localização visual do vertebrado uma tarefa complexa no ambiente natural.

A localização ocorreu na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Alto da Figueira, área inserida nos limites da Área de Proteção Ambiental (APA) Macaé de Cima, sob a gestão do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Quatro anos após sua descoberta inicial, o anfíbio passa a contar com o território friburguense em sua zona oficial de ocorrência, visto que os registros anteriores restringiam-se geograficamente a Cachoeiras de Macacu, também no território fluminense.

Segundo o herpetólogo Marcelo Stéfano Bellini Lucas, a escassez de dados sobre o animal decorre de sua provável distribuição restrita. O especialista aponta que a espécie habita exclusivamente faixas de altitude situadas entre 970 e 1200 metros, o que, somado à microescala do corpo, limita drasticamente o volume de amostragens coletadas na natureza.

O Inea esclarece que os representantes do gênero Brachycephalus evoluíram de maneira isolada nas porções mais elevadas de serras e montanhas. Incapazes de transpor vales de características quentes e secas, esses grupos populacionais mantêm dimensões reduzidas e dependência estrita de microclimas específicos. O habitat natural do sapo-pulga concentra-se na serapilheira, a camada de matéria orgânica vegetal composta por folhas, galhos e troncos caídos que reveste o solo florestal.

Entre as particularidades biológicas do anfíbio destaca-se o ciclo reprodutivo por desenvolvimento direto. Diferente da maioria dos batráquios, a espécie não passa pela etapa larval de girino; os filhotes eclodem dos ovos com a totalidade dos membros formados e com a morfologia característica da fase adulta, embora em proporção reduzida.

Os pesquisadores Izenita Brum e Miguel Relvas Ugalde conduzem investigações sobre a biogeografia desses ambientes montanos para compreender os fatores ecológicos que influenciam a sobrevivência e a preservação do sapo-pulga. Para a comunidade científica, a manutenção da integridade das áreas protegidas é um fator determinante para a continuidade da espécie na região.


Fonte:
g1.globo.com / G1

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