Encontro literário no Senado Federal reverencia a produção intelectual de escritoras originárias
Sarau temático destaca trajetórias de autoras de diversas etnias e debate barreiras enfrentadas no mercado editorial tradicional

O Dia Internacional das Mulheres e Meninas Indígenas, celebrado em 5 de setembro, foi o mote para a realização do encontro Mulheres Indígenas em Cantos e Versos. A iniciativa teve como proposta valorizar a produção literária de escritoras de diferentes regiões e etnias do país, além de confrontar a romantização e conferir visibilidade à atuação intelectual das mulheres originárias.
A data faz referência à memória da guerreira Aimará Bartolina Sisa, assassinada no século XVIII em decorrência de sua resistência contra o domínio colonial. A abertura do evento foi marcada pela declamação do poema Escrevivências, de autoria da escritora potiguar Éva Potiguara, cujos versos pontuam a resistência e as marcas históricas da colonização.
Como convidada especial, a escritora e locutora Marluce Ribeiro conduziu reflexões acerca dos óbices impostos pelo mercado editorial convencional às vozes femininas dos povos originários. Conforme apontado por ela, a escassez de representatividade bibliográfica faz com que muitas escritoras recorram a ambientes digitais, como redes sociais, blogs e sítios eletrônicos, para escoar suas produções. A seleção apresentada durante a programação fundamentou-se na antologia em formato digital Guerreiras da Ancestralidade, lançada pelo governo, além de publicações em espaços virtuais.
A programação destacou a relevância de importantes nomes da literatura nacional contemporânea e de suas respectivas lutas socioculturais. Entre as autoras mencionadas estão a pioneira Graça Graúna, integrante do povo Potiguara, que concebe a literatura como um espaço utópico voltado à sobrevivência; a multiartista amazonense Márcia Kambeba, atuante no combate ao apagamento cultural do povo Omágua; e a carioca Eliane Potiguara, ativista reconhecida por fundar a primeira organização de mulheres indígenas do Brasil.
O evento também celebrou a rondoniense Julie Dorrico, pertencente ao povo Macuxi, e a cearense Auritha Tabajara, apontada como a primeira cordelista indígena do país.
A realização do sarau esteve a cargo do Comitê Permanente pela Promoção da Igualdade de Gênero e Raça do Senado, por meio de seu Grupo de Trabalho de Afinidade de Raça, com supervisão jornalística de Ana Beatriz Santos e cobertura da Rádio Senado.
Fonte: www12.senado.leg.br / Rádio Senado
