Em Nova York, Juan Martín Del Potro defende legado de Guillermo Vilas e analisa cenário do tênis mundial
Estreando como comentarista, campeão do US Open de 2009 defende reconhecimento histórico para compatriota e relembra vitória sobre Roger Federer

De passagem por Nova York em uma nova função profissional, o ex-tenista argentino Juan Martín Del Potro manifestou seu apoio ao reconhecimento oficial de Guillermo Vilas como ex-número 1 do mundo. Em entrevista concedida à CLAY e à CNN Chile, o campeão do US Open de 2009 destacou o impacto histórico de Vilas para o esporte na América Latina, enquanto iniciava sua trajetória como analista de televisão.
Para Del Potro, a homologação do topo do ranking para Vilas seria um ato de justiça histórica. Embora existam registros apontando que o tenista alcançou a liderança do ranking da ATP em meados da década de 1970, a entidade máxima do tênis masculino tem recusado revisar os dados históricos daquele período. Del Potro ressaltou que Vilas é a principal referência do tênis sul-americano, responsável por popularizar a modalidade na região. Na Era Aberta, apenas três argentinos conquistaram o US Open: Vilas em 1977, Gabriela Sabatini em 1990 e o próprio Del Potro em 2009.
Afastado das quadras, o ex-número 3 do mundo assumiu o posto de comentarista da ESPN durante o torneio em Nova York. Sua jornada inicial na cabine de transmissão foi marcada por uma rotina intensa, estendendo-se até as 3h30 da madrugada para acompanhar o triunfo de Ben Shelton diante de Carlos Alcaraz, logo após narrar o confronto de cinco sets entre Frances Tiafoe e Alex Michelsen. Ao ser questionado se gostaria de competir contra a nova geração liderada por Alcaraz e Jannik Sinner, Del Potro admitiu preferir a posição de analista, apontando o desgaste físico extremo exigido pelo circuito atual.
A presença em Flushing Meadows também trouxe recordações de sua maior conquista, obtida há 17 anos, quando derrotou Roger Federer na final de 2009, impedindo o sexto título consecutivo do suíço. Del Potro recordou com carinho a postura de Federer e de sua equipe, que foram ao vestiário parabenizá-lo calorosamente após a partida. A vitória do argentino o mantém como o último campeão masculino de Grand Slam não nascido na Europa, quebrando uma sequência que já soma cerca de 80 torneios principais dominados por europeus. Ele apontou que semifinalistas americanos como Shelton e Tiafoe têm chances reais de encerrar esse tabu na atual edição.
Sobre as frequentes comparações de sua carreira com a do chileno Marcelo Ríos, Del Potro sugeriu de forma descontraída a criação de um “pódio de quatro lugares” para o tênis latino-americano, incluindo também Guillermo Vilas e o brasileiro Gustavo Kuerten. Ele elogiou o talento de Ríos, lembrando a conquista do topo do ranking mundial após o título em Miami, torneio que na época tinha status equivalente ao de um quinto Grand Slam.
Fonte: claytenis.com / CLAY
