Diagnóstico de Equidade Racial aponta crescimento de iniciativas educacionais no país
Levantamento divulgado pelo governo federal detalha expansão de formações voltadas para as relações étnico-raciais nas redes municipais de ensino

Fonte: leiaja.com / LeiaJá
Dados do Diagnóstico de Equidade Racial 2026 divulgado no Brasil evidenciam avanços na redução de disparidades étnico-raciais e no combate ao preconceito nas salas de aula. O levantamento, produzido pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), mapeou a aplicação de diretrizes voltadas à valorização da diversidade em todo o território nacional, incluindo regiões como o estado do Amazonas.
Conforme o documento oficial, o percentual de redes municipais de ensino que promoveram atividades formativas, a exemplo de palestras, seminários, oficinas e cursos sobre equidade racial, registrou alta expressiva. O índice subiu de 48,1% em 2024 para 69,2% em 2026, representando um incremento de 21,1 pontos percentuais nas ações ligadas à Educação para as Relações Étnico-Raciais (Erer).
As iniciativas de equidade buscam desmantelar obstáculos que prejudicam o processo de aprendizagem nas instituições públicas de ensino. A economista Lorena Castro, natural do Amazonas e graduada em Economia pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), relata ter vivenciado episódios de preconceito e exclusão durante a sua educação básica.
Aos 30 anos, a especialista recorda o isolamento sofrido na infância e adolescência em decorrência de sua identidade racial. Segundo ela, há uma tendência limitante nas periferias, onde a educação formal frequentemente transmite a mensagem de que os estudantes devem assimilar apenas o mínimo necessário para a subsistência, em vez de vislumbrar perspectivas amplas de futuro acadêmico e profissional.
Para a economista, a consolidação de políticas públicas voltadas à equidade na fase escolar básica é imprescindível para garantir que mais cidadãos negros alcancem posições de maior destaque e rendimento na estrutura social.
O levantamento da Secadi serve como instrumento de monitoramento da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq) nos sistemas de ensino. A normativa regulamenta a Lei nº 10.639/2003, que estabelece a obrigatoriedade do estudo da história e da cultura afro-brasileira e africana nas escolas do país, diretriz posteriormente complementada pela Lei nº 11.645/2008, que inseriu o conteúdo relativo aos povos indígenas.
A estruturação da Pneerq tem como finalidade primordial instituir práticas e programas educacionais direcionados à eliminação de barreiras discriminatórias e ao fortalecimento da diretriz educacional destinada às comunidades quilombolas, permitindo que a inserção de referências culturais diversificadas propicie maior identificação dos discentes com os conteúdos abordados.
Fonte: leiaja.com / LeiaJá
