Cooperação científica e inovação agrícola guiam missões brasileiras em nações africanas
Iniciativas em Ruanda, Moçambique e Etiópia incluem acordos para pecuária, capacitação digital e intercâmbio metodológico voltado ao clima
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) intensificou sua atuação no continente africano no encerramento de agosto, por meio de compromissos institucionais e científicos em Ruanda, Moçambique e Etiópia. As missões envolveram a formalização de acordos bilaterais, a apresentação de tecnologias preditivas e o intercâmbio de experiências voltadas à segurança alimentar e às conferências climáticas globais.
Na capital de Ruanda, Kigali, a presidente da instituição, Silvia Massruhá, integrou o Africa Food Systems Forum (AFSF), promovido entre 31 de agosto e 4 de setembro. O encontro reuniu mais de 4 mil participantes, entre chefes de Estado, cientistas, investidores e representantes do setor privado. Durante o evento, a dirigente participou da abertura e do painel técnico AgriLLM Showcase, em 2 de setembro, espaço em que foi exposta uma ferramenta multilíngue e de modelo de linguagem aberta desenhada para o setor agrícola. A ferramenta é desenvolvida por uma rede que inclui a Embrapa, o CGIAR, a FAO, a Fundação Gates, a Digital Green e o Instituto de Agricultura e Inteligência Artificial (IAAI). Massruhá defendeu uma agricultura baseada na antecipação de riscos climáticos e pragas a partir de inteligência artificial e análise de dados.
Ainda em Kigali, foram formalizados dois Memorandos de Entendimento focados na Etiópia. O primeiro, firmado com o Instituto Etíope de Pesquisa Agrícola (EIAR), abrange a formação de recursos humanos e a bovinocultura voltada à carne e ao leite. O segundo, estabelecido com o Kerchanshe Group, abarca a produção de carne bovina por meio de biotecnologia reprodutiva, sanidade, forragens e integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), além de interesse no manejo de baunilha, café e cacau. A delegação em Ruanda contou com os assessores da Assessoria de Relações Internacionais (ARIN) Paulo Melo, Jane Simoni e Paulo Galerani, e com o representante do escritório brasileiro na Etiópia, José Edinilson Miranda, que acompanharam reuniões com entidades como o Banco Mundial, AGRA, FARA, Crop Trust, ICARDA e a Organização Islâmica para a Segurança Alimentar (IOFS).

Em Moçambique, a diretora de Inovação Social e Transferência de Tecnologia, Ana Euler, representou a instituição na Feira Internacional de Maputo (FACIM), entre 31 de agosto e 6 de setembro, no âmbito do Pavilhão Brasil coordenado pela ApexBrasil com o Ministério das Relações Exteriores. Diante da alta dependência de importações para o consumo interno moçambicano, conversas com o presidente Daniel Chapo e com o ministro da Agricultura, Roberto Albino, orientaram as bases para um futuro memorando focado em itens da cesta básica local — como milho, arroz, feijão, carnes, ovos, leite e peixe —, sementes e capacitação profissional. Atualmente, 1.200 extensionistas do país participam de formações por meio da plataforma e-Campo, estrutura virtual que acumula mais de 200 cursos e 1,5 milhão de inscritos em 167 países.
A agenda no leste africano envolveu também uma missão prévia à Etiópia, conduzida por Jane Simoni e Paulo Melo em 27 e 28 de agosto, vinculada ao projeto “Ethiopia-Brazil Agricultural Innovation Partnership”. Os pesquisadores visitaram as unidades do EIAR em Holetta e Bishoftu para analisar laboratórios e operações de campo, além de se reunirem com a comissão organizadora da COP32, que ocorrerá no território etíope em 2027. O diálogo propõe utilizar o formato da AgriZone — idealizado pela Embrapa para a COP30, em Belém — como parâmetro metodológico para conectar produção sustentável, ciência e debates climáticos entre os países do Sul Global.
Fonte: Portal Embrapa
Site: embrapa.br
Matéria original: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/147143705/embrapa-fortalece-presenca-na-africa-e-abre-caminhos-para-novas-parcerias
