Conselho do Iphan avalia tombamento definitivo de marcos históricos em Pernambuco e no Rio de Janeiro
Reunião em Brasília deve definir a inclusão da antiga Casa de Detenção e da Estação Central do Recife, além de quilombo fluminense, nos livros de preservação nacional.

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural realiza nesta quarta-feira (23), a partir das 9h, em Brasília, a votação para o tombamento definitivo de dois importantes marcos localizados no Recife: a antiga Casa de Detenção, hoje convertida na Casa da Cultura de Pernambuco, e o Conjunto Histórico e Arquitetônico da Estação Central do Recife. A deliberação integra a pauta da 114ª reunião do colegiado vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Caso recebam o aval do conselho, os dois bens pernambucanos serão oficialmente inscritos nos Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes. Na mesma sessão, o órgão também examinará a declaração de tombamento do Quilombo Ferreira Diniz, no Rio de Janeiro, que deverá ser registrado no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos. A agenda do Iphan no estado fluminense ainda inclui a determinação do tombamento provisório da antiga sede do DOI-Codi.
Construída em 1855 às margens do Rio Capibaribe, na área central da capital pernambucana, a estrutura original da Casa de Detenção operou até 1973 com capacidade para 200 detentos. O edifício adota a arquitetura em forma de cruz, padrão típico de estabelecimentos prisionais do século XIX que facilitava a vigilância dos corredores a partir de uma posição central. Em 1976, três anos após o encerramento das atividades carcerárias, o espaço foi adaptado para fins culturais e batizado de Casa da Cultura Luiz Gonzaga, em homenagem ao renomado músico conhecido como o “rei do baião”. Atualmente, o local funciona como um dos principais centros de comércio de artesanato do Recife.
O complexo da Estação Central do Recife, inaugurado em 1888, consolidou-se no início do século XX como o principal terminal ferroviário da cidade. O empreendimento desempenhou papel estratégico no escoamento da produção açucareira oriunda do sul da província em direção ao porto local, além de realizar o transporte de passageiros. O conjunto arquitetônico é considerado um expoente da arquitetura do ferro no país.
O complexo ferroviário abriga o Museu do Trem do Recife, cujo acervo reúne mais de 500 itens voltados à preservação da memória ferroviária regional. Entre os objetos expostos constam mobiliário de bilheterias, apitos, relógios, sinalizadores, carimbadores, registros fotográficos, cartazes e documentos textuais, além de locomotivas e outros veículos históricos.
A votação do Iphan ocorre em meio a uma série de ações promovidas pela autarquia para celebrar o Mês do Patrimônio Cultural em Pernambuco. A programação abrange a entrega de edifícios restaurados, a exemplo do Mosteiro de São Bento e da Igreja de São Pedro.
Fonte: folhape.com.br / Folha PE
