Bienal em Castelo Branco debate valorização do património e cooperação cultural no espaço lusófono
Primeira edição do evento reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde para articular tradição artesanal, inovação e acolhimento no interior do país.

Crédito: Agência Incomparáveis · Fonte: agenciaincomparaveis.com / Agência Incomparáveis
A primeira edição da Bienal Internacional de Artes e Ofícios reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco. Integrado na programação do Festival Sabores de Perdição, o encontro teve como eixos centrais a preservação do património, o estímulo às indústrias criativas e o fortalecimento das relações de cooperação entre diferentes territórios.
A iniciativa ocorreu em uma cidade que integra, desde 2023, a Rede de Cidades Criativas da UNESCO no domínio do Artesanato e Artes Populares. A chancela internacional estabelece para o município o compromisso de salvaguardar saberes tradicionais, assegurar a transmissão de técnicas artesanais e expandir o intercâmbio com outros países. A organização do evento esteve a cargo da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, sob a liderança de Sónia Abreu.
Entre os participantes esteve Sofia Lourenço, cônsul-honorária de Cabo Verde nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu. Ao acompanhar as atividades, a diplomata refletiu sobre a responsabilidade da representação institucional do arquipélago em um fórum focado na cultura e na articulação territorial. Em declarações, sublinhou que a atuação no intercâmbio cultural e na ação social dá sequência ao trabalho em curso, transformando o aumento de atribuições em um leque ampliado de oportunidades.
A programação dos dois dias incluiu painéis temáticos avaliados pela cônsul-honorária como momentos de expressiva qualidade e troca de informações. Segundo a representante, o debate em torno da cultura consolida-se como ferramenta para aprofundar pontes institucionais entre Portugal e Cabo Verde, gerando reflexos positivos nas oportunidades bilaterais.
A expressão material do património cabo-verdiano esteve em evidência por meio do pano de terra, elemento emblemático do artesanato tradicional do arquipélago. A exibição da peça serviu de base para as discussões que percorreram as intervenções dos oradores sobre os equilíbrios entre preservação histórica, identidade e capacidade de inovação e renovação das técnicas artesanais.
A vertente cultural do país africano foi igualmente representada pela participação de Ângela Barbosa, gestora do Centro Cultural de Cabo Verde em Lisboa, e pela atuação do grupo Batucadeiras das Olaias na cerimónia de abertura. A apresentação do batuque — manifestação tradicional da identidade cultural cabo-verdiana — destacou a continuidade e a contemporaneidade desse património imaterial praticado fora do território insular.
A dimensão multinacional do fórum refletiu também a trajetória pessoal e profissional de Sofia Lourenço, que detém nacionalidades brasileira e portuguesa, além do cargo consular cabo-verdiano. A partir dessa convergência, a cônsul-honorária antecipou a construção de uma nova parceria estratégica entre os consulados honorários de Cabo Verde e do Brasil que atuam na região do interior, visando a afirmação conjunta de ambas as culturas e a identificação de áreas de melhoria nas relações interinstitucionais.
Paralelamente às questões artísticas e patrimoniais, o evento abordou a integração de comunidades migrantes na região central do país. A cônsul-honorária apontou a atuação desenvolvida nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu para o acolhimento de cidadãos cabo-verdianos fixados na região com objetivos académicos ou profissionais. O debate reforçou a necessidade de manter o foco na capacitação formativa dos jovens, na qualificação contínua e no aperfeiçoamento das estruturas de acolhimento e fixação populacional.
A articulação estabelecida ao longo da Bienal Internacional de Artes e Ofícios conecta-se diretamente com as diretrizes da Rede de Cidades Criativas da UNESCO, que prevê a utilização das artes populares como motor de cooperação internacional e aproximação entre comunidades.
Fonte: agenciaincomparaveis.com / Agência Incomparáveis
