Bem-estar animal é proposto como pilar estratégico para reduzir uso de medicamentos na pecuária

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Manifesto lançado pela COBEA estabelece diretrizes para combater a resistência a antimicrobianos e alinhar a produção nacional aos conceitos de saúde única

Paralelamente ao avanço de iniciativas de conservação ambiental no país, a exemplo das novas experiências turísticas e ecológicas oferecidas pelas reservas da SPVS na Mata Atlântica, localizadas no município de Antonina, o setor de produção de proteína animal também adota novas medidas voltadas à sustentabilidade. A Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA) lançou recentemente um manifesto que posiciona o cuidado e a qualidade de vida dos rebanhos como fatores determinantes para diminuir a necessidade de tratamentos e combater a resistência aos antimicrobianos (RAM).

O posicionamento surge em um cenário no qual a resistência a remédios antimicrobianos se consolidou como tema prioritário em debates globais sobre comércio, sustentabilidade e saúde pública. O manifesto da COBEA está alinhado às diretrizes do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos (PAN-BR 2026-2030). A proposta baseia-se na premissa de “Melhorar o bem-estar animal de forma contínua. Prevenir doenças sempre que possível. Tratar com precisão técnica quando necessário”, integrando a gestão de riscos sanitários ao conceito de “Uma Só Saúde” (One Health), que correlaciona as saúdes humana, animal e ambiental.

De acordo com o médico-veterinário Leonardo Thielo de la Vega, idealizador e membro honorário da COBEA, o enfrentamento da resistência a esses medicamentos exige uma transição cultural focada na prevenção em detrimento do tratamento tardio. Ele destaca que proporcionar condições adequadas de alojamento, manejo e nutrição resulta em animais mais resistentes e saudáveis, diminuindo a demanda por terapias medicamentosas e gerando sistemas produtivos mais sustentáveis.

O documento ressalta que a busca pelo uso racional de antimicrobianos não deve resultar na privação de tratamentos essenciais aos animais. A redução do uso de fármacos deve ser uma consequência direta da melhora nas condições de saúde geral dos rebanhos, e nunca fruto de negligência terapêutica. A indicação de medicamentos deve ocorrer sob estrita supervisão de médicos-veterinários qualificados, amparada por diagnósticos precisos e monitoramento constante.

Para orientar as empresas do setor e seus associados, o manifesto estabelece cinco diretrizes fundamentais:

Prevenir antes de tratar: foca no reforço da biosseguridade, higiene, vacinação e nutrição precisa para evitar o surgimento de enfermidades.

Preservar a eficácia dos medicamentos: defende o uso técnico e direcionado de antimicrobianos com base em diagnósticos claros.

Promover vigilância e transparência: propõe a ampliação do monitoramento e do registro de dados sobre o consumo de fármacos.

Assegurar a responsabilidade socioambiental: acompanha todo o ciclo de vida dos medicamentos, desde o armazenamento até o descarte correto, para evitar danos ecológicos.

Fomentar uma cultura de responsabilidade compartilhada: incentiva a capacitação de equipes e a troca de conhecimento entre produtores, corporações, universidades e órgãos governamentais.

O presidente da COBEA e gerente de Desenvolvimento Sustentável da Special Dog Company, João Paulo Camarinha Figueira, reforça que a evolução dos sistemas produtivos depende de uma atuação conjunta de todos os elos da cadeia. Segundo ele, o manifesto busca estreitar os laços entre a produção, a ciência e a sociedade.

Como desdobramento prático da iniciativa, a entidade realizará, em novembro de 2026, um webinar focado em debater a relação entre o bem-estar animal e o uso racional de medicamentos, visando transformar as diretrizes teóricas em ações práticas no campo. O documento completo está disponível para consulta pública por meio do endereço eletrônico https://bit.ly/4rO5HCy.


Fonte:
businessmoment.com.br / Business Moment

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