Ascensão do pop sul-coreano consolida programação temática inédita em grande festival de música

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Com apresentações principais de Stray Kids e Hwasa, evento abre espaço inédito para a cultura da Coreia do Sul, enquanto o Palco Sunset atrai público multigeracional com Jamiroquai e PJ Morton

O gênero pop sul-coreano conquistou espaço de destaque na programação de grandes festivais internacionais, ganhando uma data inteiramente dedicada à sua estética e sonoridade. A inclusão do estilo na agenda de eventos de grande porte reflete um fenômeno global que atrai tanto o público jovem quanto novos adeptos, a exemplo da advogada Victoria Garcia, de 28 anos, que conheceu a vertente musical durante o período de isolamento social em 2020, após o impacto inicial do megahit global “Gangnam style”, lançado por Psy em 2012 e detentor de mais de seis bilhões de visualizações na plataforma YouTube. Fã de conteúdos de entretenimento norte-americano, ela relitou ter chegado ao universo musical asiático por meio de registros audiovisuais do grupo BTS.

Entre os atrativos que diferenciam o movimento musical coreano das produções ocidentais está a intensa produção de materiais voltados diretamente para a base de fãs, englobando transmissões ao vivo após premiações e reality shows que acompanham os artistas em períodos de férias, além de produções visuais de alta complexidade em videoclipes. O antropólogo Hermano Vianna, pesquisador de sonoridades globais, destaca a diversidade artística do segmento e aponta que a consolidação dessa indústria cultural decorre de investimentos estatais estratégicos iniciados no país asiático sem garantias de retorno imediato, resultando na expansão de postos de trabalho e no fortalecimento do *soft power*. O reflexo dessa política cultural se estende a produções cinematográficas consagradas, como o longa-metragem “Parasita” — premiado com o Oscar —, e à popularização das séries televisivas conhecidas como doramas.

A programação principal do evento traz como principal atração o octeto Stray Kids, acompanhado pela cantora Hwasa — nome artístico de Ahn Hye-jin, de 31 anos, conhecida por interpretações como sua versão em coreano de “Physical”, originalmente gravada por Dua Lipa, além de faixas autorais como “María” e “Twit”. O line-up do palco principal conta ainda com a boy band japonesa Nexz e com o DJ goiano Alok, que apresenta o projeto conceitual “Keep art human”. Composto por uma proposta de alerta contra a hegemonia da inteligência artificial, o espetáculo visual de Alok integra música eletrônica, a participação de 45 bailarinos e uma intervenção aérea com 1.500 drones.

Segundo a análise de Hermano Vianna, o modelo de negócios adotado pelas empresas sul-coreanas assimilou e adaptou estratégias comerciais de boy bands ocidentais e a cultura de ídolos do Japão, associando-as a marcas industriais globais do país, como Samsung e Topic, e a um forte apelo visual e coreográfico. A mesma fórmula passou a ser replicada por diversas nações, com destaque para a China.

Para equilibrar a oferta de atrações voltadas ao público adolescente e contemplar faixas etárias mais velhas, a curadoria do evento direciona esforços ao Palco Sunset. O espaço é encabeçado pelo grupo britânico Jamiroquai, liderado por Jay Kay, cuja sonoridade de caráter dançante — associada histórica e estilisticamente ao *acid jazz* e ao *jazz funk* — retorna aos palcos cariocas após um intervalo de 15 anos desde sua última aparição no festival, em 2011. A banda conta com o percussionista brasileiro Fábio de Oliveira.

O Palco Sunset abriga também apresentações do cantor e tecladista norte-americano PJ Morton, expoente do gênero soul (que também atua como instrumentista da banda Maroon 5), o coletivo Garotin em colaboração com Duquesa, e a MPB de Jota.Pê. De acordo com o curador Zé Ricardo, a estratégia de programação busca conciliar diferentes gerações, diversificando a oferta artística para que diferentes públicos possam desfrutar conjuntamente das atrações musicais.


Fonte: oglobo.globo.com / O Globo

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