Abertura do Teatro Bancários RS e intensa programação cultural movimentam o cenário artístico gaúcho
Com estreias de palcos, circos, mostras visuais, lançamentos literários e concertos, a agenda cultural do estado reúne grandes nomes da música, das artes cênicas e da literatura entre a capital e o interior.

O cenário cultural do Rio Grande do Sul ganha fôlego com a inauguração oficial de um novo espaço de artes cênicas e uma ampla agenda que atravessa o teatro, as artes visuais, a literatura e a música em diversas cidades gaúchas. A principal novidade em Porto Alegre é a abertura do Teatro Bancários RS, localizado no Centro Histórico da capital. O espaço inicia suas atividades com uma programação que inclui a pré-inauguração com números circenses e concertos magnus de destaque na cena regional e internacional.
Antes da abertura oficial, o novo palco recebe a mostra Conexão Circo Sul, realizada pela Associação de Circo do RS com concepção e produção de Consuelo Vallandro. O evento integra o 33º Porto Alegre em Cena e apresenta um espetáculo de variedades com 15 artistas, reunindo disciplinas como palhaçaria, bambolês, corda bamba, acrobacia aérea, malabares e equilíbrio em bicicleta, com sessões agendadas para sexta-feira (18), às 20h, e sábado (19), às 15h, com ingressos a partir de R$ 10.
A inauguração oficial do Teatro Bancários RS ocorre na quarta-feira (23), com um encontro inédito entre o compositor brasileiro Vitor Ramil e o músico uruguaio Daniel Drexler. O espetáculo une a chamada Estética do Frio e o Templadismo em uma travessia poética e musical. Diante da alta procura, a sessão das 20h teve os ingressos esgotados, o que motivou a abertura de uma sessão extra às 18h, com bilhetes comercializados pela plataforma Sympla.
A circulação de espetáculos teatrais também marca a temporada. A atriz Grace Gianoukas protagoniza a comédia Dora, escrita por Thereza Falcão e com direção de Gilberto Gawronski. A obra retrata uma mulher que revisita as certezas de uma vida dedicada aos outros e cumpre turnê por três municípios: estreia em Porto Alegre no Teatro Bruno Kiefer (na Casa de Cultura Mario Quintana), segue para a pré-inauguração do Teatro Municipal do Rio Grande — cidade natal da artista — e encerra no Theatro Sete de Abril, em Pelotas.
No campo da sétima arte, a Cinemateca Paulo Amorim e a Sala Norberto Lubisco, também na Casa de Cultura Mario Quintana, sediam a estreia do média-metragem Grandes Mestres: Santiago, terceiro título da série dirigida por Henrique de Freitas Lima. O documentário mapeia a trajetória do cartunista Santiago entre Porto Alegre e a Argentina, contando com debate aberto ao público após a sessão inaugural. Já na Sala Redenção (no Campus Centro da UFRGS), o curta-metragem Redenção, dirigido por Guilherme Castro e realizado pelo Coletivo Preserva Redenção, aborda a história e a resistência ecológica do parque homônimo frente a ameaças de privatização. O cinema político e social também ganha espaço no Cine Bancários com a exibição de Não Existe Almoço Grátis, seguida por debate com o diretor Pedro Charbel e cozinheiras do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) sobre as Cozinhas Solidárias.
As artes visuais ocupam diferentes galerias e instituições. O Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC RS) inaugura duas exposições na Casa de Cultura Mario Quintana: No inverno faz primavera: Antônio Augusto Bueno, que sintetiza três décadas de produção do artista a partir do acervo institucional, e Imagine um Lugar, primeira individual de Alga Menegat com instalação mutável construída com materiais encontrados nos arredores. No Centro Cultural da UFRGS, a mostra Jardins do Antropoceno reúne trabalhos de Maíra Velho, Rosangela Filipetto, Sandra Rey, Janice Martins Appel, Bruno de Andrade, Leandro Machado e Caricuchinski para refletir sobre a crise climática a partir das enchentes de 2024.
Na Galeria da Bienal, no Instituto Caldeira, o artista indígena Xadalu Tupã Jekupé apresenta a exposição Tatá Rupa – Fogo de Pátio, antecedida por uma conversa pública com o curador Aldones Nino sobre tecnologias ancestrais e saberes Guarani no Pampa. Paralelamente, o Espaço Força e Luz sedia a 19ª edição do FestFoto — Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre —, estruturado sob o tema C.U.R.A – Empatia, Reparação, Regeneração, com ensaios de 17 artistas convidados e finalistas da convocatória Fotograma Livre. Na Casa na Surdina, a mostra fotográfica Em que espelho ficou perdida a minha face?, com curadoria de Conceição Mondini e imagens assinadas por Beatriz Thiesen, Maria Elisa Faccioli, Magda Martins Costa e Karla Nyland, utiliza o conceito de Envelhe-SENDO para combater o etarismo contra mulheres maduras. Na Galeria Maria Lucia Cattani (saguão da Reitoria da UFRGS), a artista Bruna Fraga conduz a roda de conversa e oficina da exposição O fio do caminho.
A literatura e o pensamento crítico ganham relevo através de diversos encontros. Na Casa de Cultura Mario Quintana, o Clube dos Editores do Rio Grande do Sul promove o seminário O Negócio do Livro e a Festa da Leitura, com mesas de debate sobre o mercado editorial e oficinas infantis na Biblioteca Lucília Minssen. No espaço Cirandar, os escritores Liana Timm e Alexandre Brito celebram 40 anos de poesia com o lançamento conjunto das obras Affectus e Cidade Imaginada. O Tutti Giorni Bar recebe o Clube do Livro – Escritas, charlas e causos, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS) em parceria com a Tutti Giorni, homenageando a trajetória da escritora Susana Vernieri e os 84 anos da entidade sindical.
No âmbito musical, o projeto Banrisul Cultural transmite um encontro do Clube do Livro Banrisul 60+ com Tabajara Ruas e Rodrigo Alfonso Figueira, mediados por Lu Thomé. O Ponto de Cultura Lunar do Sopapo (no bairro Vila Nova) sedia o lançamento do livro Hábito de pássaro é o céu, de Richard Serraria, em formato de happening poético e musical. A programação musical também conta com o Café Trio na Fundação Ecarta, o concerto barroco da Bach Society Brasil na Igreja Universitária Cristo Mestre (dedicado a Anna Magdalena Bach com Diana Danieli, Fernando Cordella, Dolores Costoyas, Diego S. Biasibetti e Janaina Pelizzon), e a apresentação do Antonio Neves Quarteto pelo projeto Sonoridades no Teatro do CHC Santa Casa.
A agenda contempla ainda reflexões sobre longevidade e diversidade corporal. O Instituto Ling recebe o espetáculo de dança Novos Velhos Corpos 50+, interpretado por bailarinos veteranos sob direção de Cláudia Sachs e Lisandro Bellotto. No Café Fon Fon, o sarau Enquanto o Tempo Passa reúne o grupo Mulheres Inquietas, formado por Alice Diesel, Ana Pompermayer e Heloisa Palaoro, com intervenções musicais de Néstor Monasterio e Edson Drago. No Theatro São Pedro (Multipalco Eva Sopher), o espetáculo Um Fascista no Divã, baseado em textos de Márcia Tiburi e Rubens Casara, com direção de Alexandre Dill e atuação de Vinícius Meneguzzi, aborda os reflexos da política na vida cotidiana.
Fora da capital, a Filarmônica OntoArte Recanto Maestro (Forma) inaugura sua nova escola de música no distrito de Recanto Maestro, em São João do Polêsine, na Quarta Colônia, com a apresentação da Orquestra Jovem Recanto Maestro. Simultaneamente, o projeto educativo Griô: As Sementes que Vieram da África realiza oficinas, contações de histórias e saraus em escolas públicas municipais de Canoas, promovendo a diretrizes da educação antirracista com atividades conduzidas por Jonatan Ortiz Borges, Mariana Marmontel e Henrique Veber.
Fonte: brasildefato.com.br / Brasil de Fato
