Montagem teatral inspirada em mitos indígenas eróticos encerra etapas de circulação em Feira de Santana
Projeto cultural gratuito com intérprete de Libras adapta obra da antropóloga Betty Mindlin para o público adulto e estende agenda para outras cidades baianas em 2027

Fonte: jornalgrandebahia.com.br / Jornal Grande Bahia (JGB)
O espetáculo Moqueca de Maridos — mitos eróticos indígenas desembarcou em Feira de Santana, na Bahia, para cumprir as últimas apresentações da agenda prevista para 2026. A montagem, que estreou em agosto durante o Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (FLIFS), propõe ao público adulto uma imersão em narrativas ancestrais sobre o corpo, o afeto, o desejo e a criação por meio da oralidade, unindo interpretação cênica e música ao vivo.
A dramaturgia é fundamentada no livro homônimo da antropóloga e escritora Betty Mindlin, que compilou histórias registradas em pesquisas de campo junto a narradores dos povos originários Makurap, Tupari, Wajuru, Djeoromitxi, Arikpú e Aruá, no estado de Rondônia. Com a adaptação, a Companhia Roda da Palavra busca expandir o entendimento da contação de histórias para além do universo infantojuvenil, consolidando a linguagem como manifestação artística direcionada aos espectadores adultos.
Coordenadora-geral do projeto, Daniela Landin aponta que a iniciativa funciona como uma ponte para diferentes visões de mundo. As artistas atuam como mediadoras culturais para aproximar a plateia de perspectivas e existências plurais. Além disso, a produção adotou medidas de inclusão ao oferecer acessibilidade arquitetônica e sessões com tradução em Libras, facilitando a integração de coletivos sociais, instituições voltadas a pessoas surdas, estudantes e profissionais da educação pública.
O palco é ocupado por um elenco feminino composto pelas narradoras Cintia Maria Soares, Daniela Landin, Lore Cerqueira, Luciene Mota, Maria Cláudia do Carmo, Maria do Carmo Sá e Tarsila Silva, além da participação especial do ator Hudson Portela. A atmosfera sonora da montagem corre por conta de uma banda integrada exclusivamente por mulheres, reunindo Feliciana Oliveira no violão e voz, Monique Santos na percussão, Sibele Sá Tuxá no teclado, maracá e chocalho, e Yandra Maiane no violino. A direção artística e a direção musical são conduzidas em conjunto por Feliciana Oliveira e pela professora Luciene Souza, vinculada à Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).
Depois de concluir a passagem pelo município feirense, o circuito itinerante segue no próximo ano. Em 2027, o roteiro contempla novas exibições em Salvador e em Santo Amaro, município localizado no Recôncavo baiano. O projeto conta com financiamento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), gerida pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Ministério da Cultura e Governo Federal. A realização é assinada em conjunto pela Companhia Roda da Palavra, pelo Observatório de Contação de Histórias da UEFS e pela Casa das Águas 75, com apoio institucional da Comunidade Culturasss.
Serviço:
Ingressos: Devem ser solicitados via WhatsApp pelo número (75) 99264-1507, seguindo as diretrizes da produção. A entrada está sujeita à lotação do espaço teatral.
Reservas prioritárias: Destinadas a estudantes e profissionais da rede pública de ensino, grupos artísticos, entidades comunitárias e organizações de apoio a pessoas surdas.
Classificação indicativa: 18 anos.
Fonte:
jornalgrandebahia.com.br / Jornal Grande Bahia (JGB)
