Centro Histórico ganha sede restaurada para projetos de educação musical e orquestras
Imóvel do século passado no Pelourinho passou por intervenções estruturais e arquitetônicas para abrigar ensaios e atividades formativas da Casa da Ponte

Fonte: anotabahia.com / Anota Bahia
A organização sociocultural e educativa Casa da Ponte apresentou oficialmente, na última terça-feira (15), o resultado das obras de restauração do casarão que abriga sua sede, situado no Pelourinho. A solenidade reuniu convidados para marcar a entrega do espaço, que passa a proporcionar melhores condições estruturais para a atuação da Orquestra Afrosinfônica, do Núcleo Moderno de Música e de outras iniciativas voltadas à área de educação musical.
Com o término das intervenções, o imóvel de 862 metros quadrados de área construída foi adaptado para contemplar a Sala Mateus Aleluia, ambiente concebido para receber ensaios, concertos e gravações da Orquestra Afrosinfônica. O projeto arquitetônico também contemplou a criação de salas destinadas a aulas individuais e coletivas do Núcleo Moderno de Música, além de recintos voltados para a administração, reuniões e uso do corpo docente.
As obras abrangeram o restauro detalhado de forros, esquadrias, assoalhos e da cobertura, mantendo intactas as características arquitetônicas originais do edifício, que é tombado pelo Iphan. Para assegurar a funcionalidade, a segurança e a acessibilidade na realização de atividades culturais e educacionais, o local recebeu ainda uma nova infraestrutura elétrica e hidráulica.
O maestro Ubiratan Marques, idealizador da Casa da Ponte, destacou o significado da entrega para a comunidade. Durante a cerimônia de apresentação, ele celebrou a presença de figuras históricas na trajetória da instituição, como Mateus Aleluia, Arany Santana e Paulo Alconforado, este último responsável por dar nome à organização.
Localizado na poligonal do Centro Histórico de Salvador — reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco —, o casarão está situado em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, ao lado da Fundação Jorge Amado e cercado por outras edificações seculares. A estética interna do espaço foi integrada às artes visuais: as paredes funcionam como galeria de imagens que registram a trajetória da instituição, complementadas por intervenções artísticas de Rimon Guimarães no foyer da sala de ensaio e em áreas ao ar livre.
A história da Casa da Ponte tem raízes no Núcleo Moderno de Música, escola criada por Ubiratan Marques e Gilberto Santiago que ocupou inicialmente salas alugadas no mesmo casarão entre 2009 e 2011. Esse processo formativo deu origem à Orquestra Afrosinfônica, servindo de base para a criação e os ensaios do primeiro álbum do grupo, intitulado Branco.
No âmbito de sua atuação comunitária, a instituição desenvolveu em 2024 a primeira edição do projeto Ponte Para a Comunidade, voltado à formação musical em diferentes localidades. A iniciativa resultou na criação de oito Orquestras Afrobaianas, entregues para a gestão de coletivos como Ilê Aiyê, Banda Didá, Olodum, Pracatum, Cortejo Afro, Filhos de Gandhy, Malê Debalê e o Grupo Étnico Cultural Bairro da Paz.
O planejamento cultural articulado pelo maestro prevê eventos que dialogam tanto com o interior do casarão quanto com os bairros locais e outros municípios. Em 2025, o projeto Ponte Para as Filarmônicas integrou corporações musicais de São Félix, Santo Amaro, Cruz das Almas, Cachoeira, Muritiba e Acupe. Já a partir de dezembro, a Orquestra Afrosinfônica dará início a uma temporada de concertos com participações especiais nas escadarias da Fundação Jorge Amado.
Fonte: anotabahia.com / Anota Bahia
