Iniciativa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul leva debate sobre violência doméstica a alunos da rede pública

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Com apresentações teatrais e distribuição de livros, projeto atende estudantes em áreas de maior vulnerabilidade social

A Escola Municipal Consulesa Margarida Maksoud Trad sediou, na manhã de terça-feira, 15 de setembro, a primeira apresentação teatral vinculada ao projeto Clarisse me disse. A ação, voltada a 96 alunos distribuídos em três turmas do 5º ano, integra o programa de prevenção à violência contra a mulher promovido pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Antes da chegada do espetáculo às salas de aula, os docentes atuaram como pontos focais e passaram por treinamento prévio, recebendo propostas de planos de aula. As atividades preparatórias envolveram expressões artísticas como desenhos, pinturas e montagem de cenas para contextualizar o tema da violência doméstica de maneira sensível e adaptada à faixa etária de 10 a 11 anos.

A encenação ficou a cargo do Teatral Grupo de Risco, que adaptou para os palcos o livro Clarisse me disse, de autoria da juíza Caroline Costa de Camargo, do Tribunal de Justiça de São Paulo. A obra literária retrata a vivência de uma criança diante de conflitos e agressões no ambiente familiar. Ao término da apresentação, cada estudante recebeu um exemplar impresso do livro.

De acordo com a coordenadora pedagógica da instituição, Alessandra Maria, o trabalho preventivo aproximou os estudantes da temática de forma gradual. “Através da arte fazemos uma aproximação do tema da violência doméstica. As crianças construíram artisticamente cenas, pinturas e desenhos para se aproximar do tema Clarisse e, quando chegou o momento do teatro, elas já estavam mais inteiradas”, afirmou.

A interação prévia abriu espaço para discussões sobre respeito, igualdade e relações não violentas, fazendo com que alunos identificassem e relatassem situações de violência vivenciadas em seus próprios lares. Com a conclusão das atividades artísticas, a equipe do projeto prevê o atendimento individualizado e o encaminhamento das crianças que relataram tais episódios aos serviços de apoio cabíveis.

Lançada em 31 de agosto, a iniciativa foi estruturada em conjunto com as Secretarias Municipais de Educação, priorizando instituições de ensino situadas em territórios com maior vulnerabilidade social. No total, a proposta prevê alcançar mais de 300 estudantes do 5º ano das redes municipais de Campo Grande e Ponta Porã.

Na capital sul-mato-grossense, o projeto-piloto abrange, além da Escola Municipal Consulesa Margarida Maksoud Trad, as unidades Escola Municipal Profa. Ana Lúcia de Oliveira Batista, Escola Municipal Kamé Adania, Escola Municipal Professora Iracema Maria Vicente e Escola Municipal Profa. Hilda de Souza Ferreira, que recebem as apresentações teatrais e a entrega dos livros ao longo da semana. A programação inclui também a tradução da obra para a língua guarani-kaiowá, com o objetivo de contemplar estudantes indígenas atendidos no município de Ponta Porã.


Fonte: enfoquems.com.br / Enfoque MS – Notícias de Campo Grande – MS

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