Hospital público na capital fluminense utiliza inteligência artificial e reorganização de processos para otimizar fluxos de emergência
Iniciativa implementada como projeto-piloto há seis meses responde por até 20% dos atendimentos da unidade e reduz o tempo de espera para avaliações presenciais.

A integração de ferramentas tecnológicas e de inteligência artificial em unidades de saúde pública tem demonstrado capacidade de ampliar o acesso da população e reduzir o tempo de espera, desde que acompanhada por uma reestruturação prévia dos processos de gestão. A avaliação foi detalhada por Tiago Velloso, diretor-geral do Hospital Municipal Evandro Freire, situado no Rio de Janeiro, durante participação na última quinta-feira (10) no programa Tech Check, do canal Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
A instituição presta assistência a moradores de diversas localidades da região, incluindo os complexos do Alemão, da Maré e da Penha. Conforme os dados apresentados, a estratégia de digitalização da unidade busca conjugar maior agilidade na prestação dos serviços com a ampliação da segurança clínica para os pacientes. O processo envolve a unificação de prontuários médicos, registros financeiros e demais rotinas administrativas por meio de sistemas digitais.
Consultório digital na emergência
Entre as principais frentes adotadas pela gestão está o funcionamento de um consultório digital, estruturado como um projeto-piloto que completa seis meses de operação. Atualmente, essa modalidade de atendimento já absorve entre 15% e 20% do volume total de pacientes que buscam a emergência do hospital.
O modelo permite o direcionamento prévio dos casos, fazendo com que o corpo clínico presente fisicamente na unidade concentre seus esforços nos pacientes que exigem exames e avaliações presenciais imediatas. Segundo a direção do hospital, essa triagem tecnológica possibilitou que os casos de urgência com necessidade de atendimento médico direto alcancem uma média de espera de 20 a 30 minutos. Para a administração, os resultados iniciais apontam um potencial expressivo para otimizar o fluxo de atendimento na rede pública.
Cultura de gestão como pré-requisito
Apesar do impacto positivo das ferramentas digitais, o diretor-geral ressalta que o principal entrave para a inovação no setor público não reside na aquisição de equipamentos ou softwares, mas na estruturação administrativa. De acordo com Velloso, conceitos como hospitais ou unidades de terapia intensiva (UTIs) inteligentes perdem eficácia quando aplicados sobre fluxos operacionais que permanecem desorganizados.
A recomendação da unidade é que a implantação de recursos avançados seja precedida pela profissionalização dos processos e pela capacitação das equipes de trabalho. Somente após a consolidação de uma cultura gerencial estruturada é que a tecnologia cumpre plenamente seu papel de habilitador para a melhoria da qualidade assistencial.
Perspectivas para o SUS
A estratégia adotada pelo Hospital Municipal Evandro Freire busca demonstrar que a transformação digital no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) viabiliza-se mediante a combinação equilibrada de processos sólidos, recursos tecnológicos adequados e profissionais devidamente preparados, com foco na eficiência do atendimento e na segurança do paciente.
Fonte: timesbrasil.com.br / Times Brasil | CNBC
