Pioneiros da comunicação universitária contam a trajetória de bastidores da Rádio e da TV Unesp
Profissionais que participaram da implantação dos veículos relembram os desafios técnicos, as superações financeiras e o impacto cultural da chegada das emissoras à região

O ano de 2026 marca um período de importantes celebrações para a televisão e a rádio mantidas pela instituição. Em maio, a emissora radiofônica completou 35 anos no ar, enquanto o canal de televisão se prepara para festejar 15 anos de atividades em novembro. A consolidação desses meios de comunicação representa o reconhecimento ao esforço de profissionais que dedicaram décadas à construção técnica e artística dos projetos, cujas histórias antecedem até mesmo a primeira transmissão oficial.
Entre os nomes fundamentais dessa trajetória estão os operadores de áudio Sylvestre de Oliveira e Paulo José Prestes. A vivência de Oliveira no meio radiofônico começou nos anos 1970, quando circulava pelas emissoras locais e convivia com figuras posteriormente célebres, como o apresentador Gilberto Barros. Antes de integrar a equipe universitária, atuou como cobrador de anúncios na antiga Rádio 710 AM, além de passar pela Bauru Rádio Clube e pela Rádio Auriverde na década de 1980.
Os planos de mudança para o Rio de Janeiro foram interrompidos quando viu o edital do concurso público para a Rádio Unesp FM. O processo seletivo, contudo, exigiu sacrifícios financeiros consideráveis, já que o salário da época equivalia a pouco mais de um salário mínimo e eram necessárias quatro viagens para a capital paulista para realizar as avaliações. Para viabilizar a participação na prova prática — que ocorreu na Rádio USP —, Oliveira contou com o auxílio financeiro de um amigo cabeleireiro, que lhe repassou o apurado do dia após um desabafo sobre a falta de recursos.
A prova prática ocorreu sob forte tensão e fome, visto que o horário marcado para as 10h só foi cumprido às 16h, após uma refeição improvisada à base de um cachorro-quente. Com a experiência acumulada, encontrou facilidade ao reconhecer equipamentos já conhecidos, o que lhe garantiu a quarta colocação entre as cinco vagas ofertadas. A contratação foi efetivada em 5 de julho de 1990.
A estrutura superior e o nível elevado dos profissionais contratados surpreenderam o operador no início. Ele esteve presente em 13 de maio de 1991, data da primeira transmissão oficial da rádio, projeto idealizado pelo professor Antonio Carlos de Jesus, vinculado à então Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (hoje Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design). A emissora era parte do Centro de Rádio e Televisão Cultural e Educativo (CRTVE), criado em 1988 — mesmo ano em que a Universidade de Bauru foi encampada pela instituição.
Ao longo dos anos, a atuação na rádio impulsionou o desenvolvimento acadêmico de Oliveira, que concluiu o ensino médio e formou-se em um curso tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Além da operação de áudio, exerceu a coordenação de programação por nove anos, apresentou a atração semanal de samba Batuque na Cozinha e assumiu interinamente a direção do CRTVE e da rádio por dois meses.
Para a rádio, o desafio inicial consistia em oferecer programação musical variada e jornalismo de qualidade para o município e região. Com o advento da internet e do streaming, as barreiras geográficas foram superadas, embora o cenário digital tenha gerado receios iniciais sobre o futuro do meio. O foco atual, segundo o operador, reside na captação de novos públicos jovens por meio de uma grade diferenciada.
Outro pilar histórico da comunicação universitária é o operador de áudio Paulo José Prestes, amplamente conhecido como PJ. Sua carreira começou aos 15 anos na Rádio 710 AM, seguida pela participação na equipe que inaugurou a Rádio Cidade (atual 96 FM) em 1983, e pela conclusão da primeira turma de Locução do Senac local em 1985.
PJ integrou o grupo pioneiro da Rádio Unesp FM, participando diretamente dos testes de transmissão em um domingo, quando auxiliou na escolha do disco, na preparação dos equipamentos e na abertura do microfone para o locutor anunciar o prefixo da emissora. Após cinco anos, afastou-se temporariamente para gerenciar um estúdio de gravação próprio, retornando anos mais tarde para atuar no audiovisual da TV Unesp, após aprovação em concurso público realizado em 2008 e contratação em 24 de abril de 2009.
Como o prédio definitivo da televisão ainda não estava finalizado fora do câmpus, os novos profissionais da área técnica utilizaram uma sala na rádio por cerca de três meses. A chegada ao estúdio televisivo exigiu a montagem de pilhas de equipamentos encaixotados até a primeira transmissão, realizada em 4 de novembro de 2011. Diferente das emissoras locais da época, que operavam com sistemas analógicos, a TV Unesp já iniciou as atividades com tecnologia digital de alta definição, exigindo adaptação intensa ao uso de mesas de som digitais.
Ao longo de 16 anos na televisão, PJ operou a central técnica e o controle mestre, acompanhando o empenho coletivo em produzir conteúdos informativos voltados tanto à divulgação de pesquisas acadêmicas para o público externo quanto à comunicação interna da instituição. Para o profissional, abrir o áudio da primeira transmissão televisiva repetiu a sensação de pioneirismo vivida no nascimento da rádio anos antes.
Fonte: jornal.unesp.br / Jornal da Unesp
