Terapia genética restaura neurônios e preserva memória em modelo de Alzheimer

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Pesquisa da Universidade da Califórnia demonstra que técnica experimental recupera função neural em camundongos e abre nova via para futuros tratamentos

Uma equipe de pesquisadores da University of California – San Diego (UC San Diego) apresentou um avanço significativo no estudo da Doença de Alzheimer. Em experimentos conduzidos com camundongos geneticamente modificados para desenvolver sintomas da enfermidade, os cientistas conseguiram restaurar neurônios danificados e preservar funções cognitivas usando uma terapia genética inovadora. Os resultados foram divulgados em repositórios científicos ligados à instituição e em plataformas especializadas como ScienceDaily e Drug Target Review, que detalham a descoberta com base no estudo oficial.

O artigo intitulado “Brain reboot: Gene therapy reverses Alzheimer’s memory loss in mice” saiu no site ScienceDaily em 24 de junho de 2025.

A técnica empregada utilizou um vírus geneticamente modificado e considerado seguro como vetor para transportar um gene protetor, conhecido como SynCav1, diretamente para as células do hipocampo, região crucial para memória e aprendizagem. Uma vez dentro dos neurônios, o gene estimulou a produção de proteínas responsáveis por manter estruturas celulares essenciais à comunicação neural.

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Segundo informações da UC San Diego, os animais tratados com SynCav1 mantiveram a capacidade de aprender e recordar tarefas mesmo em fases nas quais, normalmente, apresentariam forte declínio cognitivo. Estudos divulgados no portal ScienceDaily destacam que essa proteção neuronal ocorreu mesmo sem redução significativa das placas amiloides, tradicionalmente associadas ao Alzheimer, o que indica uma rota terapêutica focada na recuperação funcional do neurônio, não apenas na remoção das toxinas acumuladas.

Outro ponto relevante apontado pelo Drug Target Review é que a terapia ajudou a preservar estruturas sinápticas e membranas especializadas, essenciais para a plasticidade cerebral. Isso sugere que a intervenção poderia, no futuro, ser combinada a outros tratamentos biomoleculares.

Apesar do entusiasmo, os próprios pesquisadores reforçam que o estudo ainda está restrito a modelos animais. Antes de qualquer aplicação em humanos, serão necessários testes de segurança, estudos em maior escala e avaliação de possíveis efeitos colaterais a longo prazo.

O Alzheimer permanece como uma das doenças neurodegenerativas mais Impactantes no mundo, afetando mais de 30 milhões de pessoas globalmente. Embora ainda distante de uma cura, o resultado da pesquisa representa um passo sólido para a construção de terapias que recuperem a função neural, e não apenas retardem a progressão da doença.

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