Legado verde no Queens: horta comunitária financiada por 50 Cent completa quase duas décadas de funcionamento nos Estados Unidos
Espaço revitalizado pelo rapper americano em Nova York integra agricultura urbana, captação de água da chuva e preservação de memória coletiva

Quase duas dezenas de anos após sua reabertura oficial em novembro de 2008, o jardim comunitário batizado com o nome do artista Curtis James Jackson, mundialmente conhecido como 50 Cent, segue em plena atividade nos Estados Unidos. Localizado no Queens — um dos cinco boroughs administrativos de Nova York situado na costa leste do país, do outro lado do East River em relação a Manhattan —, o espaço público nasceu do esforço do rapper em devolver melhorias concretas ao bairro onde cresceu, transformando um lote que antes se encontrava abandonado e subutilizado.
O projeto, que começou a ganhar forma em 2007, contou com o suporte financeiro da G-Unity Foundation, criada pelo músico, e somou forças com moradores locais e entidades de revitalização. Entre as parcerias de destaque esteve a New York Restoration Project, fundada pela cantora e atriz Bette Midler. O desenho paisagístico, por sua vez, ficou sob a responsabilidade do arquiteto Walter Hood, cuja proposta integrou áreas de permanência, circulação e cultivo coletivo para além do conceito clássico de horta.
O diferencial técnico da intervenção esteve na infraestrutura hídrica. Um sistema integrado de captação de água da chuva, composto por calhas e reservatórios, passou a abastecer as canteiras sem depender exclusivamente da rede de água potável. A tecnologia simples reduziu os custos operacionais para a associação de moradores e ajudou a amenizar o escoamento durante temporais urbanos, evitando a compactação excessiva do solo.
Ao longo de quase dezoito anos, o Curtis “50 Cent” Jackson Community Garden resistiu a pressões imobiliárias, invernos rigorosos e alternâncias de gestão. O local funciona como ponto de encontro diário, oferecendo um ambiente onde crianças compreendem ciclos biológicos, vizinhos conversam e idosos encontram um refúgio natural longe do concreto. A permanência do nome do artista na entrada atua como elemento de proteção política e preservação da identidade coletiva.
Especialistas apontam que a iniciativa reflete tendências globais de sustentabilidade urbana adotadas desde os anos 2000, unindo baixo custo de manutenção, benefícios climáticos locais — como a redução de ilhas de calor — e o fortalecimento do tecido social. A experiência internacional ecoa em projetos de agricultura urbana desenvolvidos em diferentes regiões do Brasil, onde hortas comunitárias e o uso de cisternas buscam garantir segurança alimentar e resiliência climática em áreas urbanas densas.
Serviço
Local: Curtis “50 Cent” Jackson Community Garden, no Queens, Nova York, Estados Unidos.
Fonte:
revistaamazonia.com.br / Revista Amazônia
