Pesquisa aponta que quase 30% dos estudantes avaliados em escolas de Minas Gerais e de outros estados possuem hipertensão

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Estudo do projeto Brasil Coração Saudável revelou índices elevados de pressão alta e excesso de peso entre mais de 6 mil crianças e adolescentes

Um levantamento divulgado pelo projeto Brasil Coração Saudável revelou que cerca de três em cada dez estudantes avaliados em estabelecimentos de ensino no país apresentam hipertensão arterial. A pesquisa, que detalhou resultados descritivos da primeira fase da iniciativa, examinou 6.092 crianças e adolescentes em 38 instituições de ensino, abrangendo os estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Os exames e avaliações foram conduzidos entre 3 de junho e 7 de outubro de 2026. Do total de participantes, 2.973 eram procedentes de Minas Gerais, 3.059 do Rio Grande do Sul e 60 do estado de São Paulo. Conforme o estudo, 28,3% dos estudantes preencheram critérios para hipertensão, enquanto 11,6% foram classificados na categoria de pré-hipertensão.

Os organizadores ressaltam que o levantamento possui caráter descritivo e não reflete, de maneira universal, a totalidade da população infantojuvenil brasileira. Além disso, o documento pontua que o protocolo de confirmação diagnóstica definitiva da doença não foi detalhado, impedindo que as classificações sejam interpretadas como diagnósticos clínicos fechados.

O trabalho demonstrou que a incidência de alterações na pressão arterial cresce proporcionalmente à idade e está fortemente ligada ao excesso de peso. Entre os voluntários de 7 a 18 anos com obesidade, 48,4% manifestaram hipertensão. A situação mostrou-se ainda mais grave na faixa etária de 15 a 18 anos, grupo em que 60,5% dos adolescentes obesos apresentaram a condição, comparados a 23,4% daqueles com peso adequado.

A proporção de hipertensão também variou entre os sexos. Entre os rapazes de 15 a 18 anos, o índice alcançou 40,7%, o maior patamar registrado entre os grupos avaliados, enquanto entre as moças da mesma faixa etária o percentual foi de 28,6%. Os meninos com menos de 7 anos também apresentaram taxa expressiva, com 39,1% de incidência.

Em relação às medidas pressóricas médias de 5.541 participantes entre 7 e 18 anos, observou-se elevação progressiva da pressão sistólica e diastólica conforme a idade avançava. Nos meninos, a pressão máxima passou de uma média de 103,5 mmHg na infância inicial para 121,8 mmHg na adolescência tardia. Entre as alunas, os valores médios saltaram de 103,6 mmHg para 112,6 mmHg.

O perfil nutricional da amostra indicou que um terço dos estudantes (33,1%) sofre com excesso de peso, sendo 19,5% com sobrepeso e 13,6% com quadros de obesidade, inclusive grave. O sobrepeso predominou entre as meninas de 11 a 14 anos (24%), ao passo que a obesidade incidiu com mais força sobre os meninos de 7 a 10 anos (17,1%). O índice de massa corporal (IMC) médio elevou-se de 17,9 kg/m² para 22,5 kg/m² ao longo das faixas etárias analisadas.

O acúmulo de gordura na região abdominal seguiu a mesma tendência. Cerca de 17,4% dos estudantes ultrapassaram o limite de 0,5 na relação cintura/estatura (RCE). Aqueles que apresentaram índices elevados de adiposidade central registraram maior frequência de hipertensão (40,6%) em relação aos que mantiveram medidas adequadas (24,4%).

O levantamento mapeou ainda hábitos cotidianos e fatores comportamentais. Do total de respondentes, 59% dedicavam três horas ou mais diariamente ao uso de telas fora do ambiente escolar, com média de 3,8 horas diárias, sendo o telefone celular o aparelho mais frequente (86%), seguido pela televisão (80%). No tocante aos exercícios físicos escolares, embora 93% participassem de alguma prática, 66,1% limitavam a dedicação a apenas uma ou duas horas semanais.

No aspecto emocional e psicológico, aproximadamente um em cada oito estudantes relatou vivenciar níveis intensos ou exagerados de estresse no ambiente doméstico (12,7%) e na escola (12,5%). A pesquisa também avaliou dimensões espirituais por meio do instrumento PRIMA, identificando índices elevados de concordância em quesitos como gratidão (93%), altruísmo (86,4%) e compaixão (87,5%), além de respostas que apontaram a presença de ressentimento em 56,7% dos registros e de raiva com impacto relacional em 45,8%.


Fonte:
g1.globo.com / G1

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