Esporte e afirmação cultural marcam a 19ª edição dos Jogos Urbanos Indígenas em Campo Grande
Evento reuniu cerca de 500 atletas de 21 comunidades no Parque do Sóter para disputas em dez modalidades e momentos de integração comunitária.

A cidade de Campo Grande foi palco, durante o último fim de semana, da 19ª edição dos Jogos Urbanos Indígenas. O evento reuniu cerca de 500 participantes oriundos de 21 comunidades da capital sul-mato-grossense. Realizado no Parque do Sóter, o encontro combinou provas esportivas tradicionais e convencionais a um intenso ambiente de convivência familiar e valorização das tradições de matriz indígena no contexto urbano.
A programação oficial teve início no sábado, 26 de setembro, com uma solenidade de abertura na Morada dos Baís, e estendeu-se ao longo do domingo, 27 de setembro, com a disputa de dez modalidades coletivas e individuais. A organização esteve a cargo da Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundação Municipal de Esportes (Funesp) e da Subsecretaria de Defesa dos Direitos Humanos (SDHU).
Para além das quadras e dos campos do Parque do Sóter, a estrutura do evento transformou-se em espaço de confraternização. As famílias das delegações organizaram refeições comunitárias e acompanharam a rotina das partidas. A integrante da comunidade Inamaty Kaxé, Taynara Marques Felix, de 34 anos, começou os preparativos para o almoço do grupo às 4h. Na sequência, competiu no vôlei — modalidade na qual sua equipe obteve a terceira colocação —, torceu pelos filhos de 15 e 17 anos no futebol e comemorou a vitória da comunidade na corrida feminina.
A transmissão dos valores culturais entre gerações foi ressaltada por lideranças e participantes. Segundo Taynara Marques Felix, o incentivo aos jovens visa afastar o constrangimento e fortalecer a identidade cultural. Pela mesma comunidade, Daniel Francisco, de 31 anos, conquistou o vice-campeonato na prova de arremesso de lança e participou das disputas de cabo de guerra após a eliminação de seu time no futebol, destacando o caráter interativo da integração entre as etnias presentes.
As modalidades tradicionais também tiveram protagonismo nas declarações dos presentes. A torcedora Domigiane Vicente, de 33 anos, representante da comunidade Paravá, salientou que a prática de esportes convencionais caminha lado a lado com a preservação do arco e flecha e das tradições originárias. Na área técnica, a cacique da comunidade Portal Caiobá, Dourilene Moreira, de 50 anos, esteve à frente da equipe feminina de futsal, reforçando o potencial técnico e a habilidade dos esportistas que vivem nas áreas urbanas da cidade.
Fonte:
campograndenews.com.br / Campo Grande News
