Coletivo mineiro promove circulação de maracatu de baque virado com apresentações e oficinas gratuitas

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Projeto contemplado por edital municipal leva cortejos com cerca de trinta integrantes a centros culturais de diferentes territórios da capital mineira

O som das alfaias, caixas, agbês, timbal e gonguê vai ocupar diferentes regiões de Belo Horizonte a partir deste mês. O Maracatu Estrela de Aruanda realiza três cortejos gratuitos de maracatu de baque virado, manifestação da cultura popular afro-brasileira originária de Pernambuco. A primeira apresentação será no dia 26 de setembro, às 11h, no Centro Cultural Zilah Spósito. A programação segue em outubro e novembro, passando pelos Centros Culturais Bairro das Indústrias e Alto Vera Cruz.

O projeto busca ampliar a circulação do maracatu e aproximar a manifestação de diferentes territórios da capital. As apresentações são realizadas com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, por meio do edital Descentra. O segundo cortejo acontece em 24 de outubro, às 16h, no Centro Cultural Bairro das Indústrias, enquanto o terceiro está marcado para 28 de novembro, às 14h, no Centro Cultural Alto Vera Cruz.

Em atividade desde 2017, o Estrela de Aruanda desenvolve ações de formação, circulação e difusão da cultura popular afro-brasileira em Belo Horizonte. O grupo mantém uma relação de formação e intercâmbio com a Nação Encanto do Pina, de Pernambuco, liderada pela mestra Joana Cavalcante, referência para a linguagem de maracatu desenvolvida pelo coletivo mineiro.

Segundo o coordenador Pablo Gleice, o projeto amplia uma trajetória que já inclui oficinas e cortejos realizados de forma independente pelo grupo. A proposta é levar a manifestação a regiões que historicamente tiveram menor acesso às políticas de fomento cultural. O projeto nasce dessa experiência, mas busca ampliar seu alcance, levando o maracatu para territórios de Belo Horizonte que historicamente foram menos contemplados pelas políticas de fomento, afirma o coordenador.

Cada cortejo terá aproximadamente uma hora e meia de duração e contará com cerca de 20 batuqueiros. Com a participação da corte real e da ala de dança, o grupo poderá chegar a aproximadamente 30 integrantes. Durante as apresentações, o público poderá acompanhar o cortejo em movimento, aproximando-se dos músicos e participando da experiência pelas ruas e espaços públicos.

Para Breno Miranda, que divide a coordenação do projeto com Pablo Gleice, a proposta é fazer do cortejo uma experiência de aproximação com o público. O público não fica distante do acontecimento; pode se aproximar do batuque, acompanhar, dançar, cantar e vivenciar aquela manifestação coletivamente, destaca.

Além da música, os cortejos reúnem canto, dança, indumentária, personagens e símbolos tradicionais do maracatu de baque virado. Entre eles estão o rei, a rainha e a Dama do Paço, responsável por conduzir a calunga, boneca sagrada de profundo significado ancestral e espiritual para as nações de maracatu. A manifestação também reúne elementos relacionados às tradições de matriz africana e possui dimensão religiosa vinculada ao candomblé.

As alfaias formam a base rítmica do batuque, enquanto caixas, agbês, timbal e gonguê acrescentam diferentes sonoridades ao conjunto. O Estrela de Aruanda desenvolve seu trabalho especialmente em diálogo com os saberes da Nação Encanto do Pina e da mestra Joana Cavalcante, reunindo em seu repertório loas da nação pernambucana e composições autorais.

Antes dos cortejos, o projeto também oferece oficinas gratuitas de maracatu de baque virado, com atividades de percussão, canto e dança. Os encontros serão realizados às 15h, no Barracão Aruanda, localizado na avenida Antônio Carlos, 7.823, nos dias 12, 19 e 26 de setembro; 3, 10 e 17 de outubro; e 7, 14 e 21 de novembro.

As oficinas têm como objetivo aproximar novos participantes dos fundamentos do maracatu e, ao mesmo tempo, aprofundar a formação de quem já integra o grupo. A iniciativa estabelece uma conexão entre o processo de aprendizado e os cortejos, levando para as ruas os conhecimentos desenvolvidos durante os encontros.

A formação e a prática caminham juntas. As oficinas possibilitam a aproximação de novos batuqueiros e o aprofundamento dos saberes, enquanto os cortejos levam essa experiência para a rua, explica Breno Miranda.


Fonte: portalimpactto.com.br / Impactto News

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