Trajetória pioneira: João Pedro Rocha realiza apresentação histórica e toca no Rock in Rio
Aos 23 anos, o artista conhecido como JP levou sua mistura de samba, MPB, pop e funk para o Artist Village, marcando a primeira vez de um DJ com síndrome de Down nos palcos do festival

A edição do Rock in Rio registrou um marco em sua história ao receber, pela primeira vez, um disc-jóquei com síndrome de Down em um dos palcos do evento. Aos 23 anos, João Pedro Rocha, assinado artisticamente como JP, realizou sua apresentação no Artist Village, área destinada a profissionais, convidados e artistas do festival.
Com uma ascensão considerada meteórica, o profissional iniciou sua preparação técnica e artística em 2024, alcançando em apenas dois anos os grandes palcos da música internacional. Antes da passagem pelo Rock in Rio, o jovem já havia integrado a programação de eventos de grande porte, reunido milhares de espectadores e atuado na abertura de apresentações de expoentes da música nacional. Seu repertório no festival integrou elementos da brasilidade, transitando entre gêneros como samba, MPB, pop e funk.
A estreia profissional do artista ocorreu em 2025, no CasaBloco, situado no Jockey Club, no Rio de Janeiro. No início de 2026, JP retornou ao festival carioca e também cumpriu agenda em Recife, com performances na CasaBloco da Praça do Arsenal. Na ocasião, dividiu a programação com nomes como Elba Ramalho e o bloco Galo da Madrugada, reunindo um público superior a 20 mil pessoas no Recife Antigo ao longo de duas exibições.
Ao comentar a experiência de tocar no evento carioca, João Pedro Rocha destacou a receptividade da plateia. Gostei muito de tocar lá, foi ótimo, muito obrigado a vocês. Gostei muito de tocar lá, foi uma experiência ótima, foi incrível, eles dançaram, gostaram, dançaram muito. E foi muito legal. Subi no palco, parece que estou em casa, relatou o DJ.
A produtora cultural e mãe do artista, Rita Fernandes, pontuou que a seleção de seu filho ocorreu estritamente por critérios artísticos, distanciando a contratação de discursos genéricos sobre inclusão. Segundo ela, o convite partiu diretamente do setor artístico do festival, e não das áreas de acessibilidade. O João chegou nesse lugar pelo artista que ele é, não é uma questão só de inclusão. O João não foi convidado para o Rock in Rio como uma ação de inclusão, tanto que ele foi contratado pelo artístico e não pela área de acessibilidade e de inclusão. O artístico percebeu o artista que o João Pedro era, e isso é importante, declarou.
Rita Fernandes também enfatizou o rigor e a disciplina exigidos pela profissão, ressaltando que o trabalho não envolve improviso. De acordo com a produtora, o filho dedica-se intensamente aos estudos, à pesquisa de repertório, à escolha das faixas conforme o público-alvo e aos testes práticos realizados em casa. Para a família, a prioridade é o reconhecimento do talento técnico do artista acima de qualquer condição física. O João se vê como um cidadão, como qualquer outro. O João não tem essa questão, como nós da família também não, de colocar a deficiência dele antes de qualquer coisa, afirmou.
Por fim, a produtora avaliou positivamente a abertura de espaço promovida por eventos musicais de diferentes portes para profissionais com deficiência. Para ela, iniciativas que enxergam a acessibilidade como parte orgânica da programação artística merecem reconhecimento e apontam para a capacidade técnica desses profissionais no mercado cultural.
Fonte: uol.com.br / UOL
Outras fontes encontradas:
- Por Dentro de Tudo — ver original
