Alison dos Santos fixa nova marca mundial nos 400m com barreiras e reconecta o Brasil ao topo do atletismo após 28 anos
Feito obtido na etapa de Zurique da Diamond League insere o atleta em um seleto grupo de apenas cinco brasileiros na história a registrarem a melhor marca global em suas provas

O atleta brasileiro Alison dos Santos, conhecido como Piu, alcançou um feito histórico na última quinta-feira, 27 de agosto de 2026, ao vencer a prova dos 400 metros com barreiras na etapa de Zurique da Diamond League, na Suíça, estabelecendo o novo recorde mundial da modalidade com o tempo de 45s80. O feito encerra uma espera de 28 anos do atletismo brasileiro sem registrar o tempo mais rápido da história em uma prova da modalidade.
A conquista na Suíça consagra uma sequência vitoriosa de Alison na temporada de 2026, sendo este o seu quinto título na Diamond League no ano. Anteriormente, o corredor havia vencido os 300 metros com barreiras em Shaoxing, na China (com 33s01), e os 400 metros com barreiras nas etapas de Xiamen, também na China (46s72), Oslo, na Noruega (46s89), e na Silésia, na Polônia (46s43). Cerca de um mês antes do feito em Zurique, Alison já havia fixado o tempo de 46s48 durante a disputa do Troféu Brasil, realizado na cidade de São Paulo.
Com a marca mundial obtida nos 400m com barreiras, Alison torna-se o quinto brasileiro a figurar no topo do ranking global do atletismo. O último representante do país a obter uma melhor marca mundial havia sido Ronaldo da Costa, que em 1998 registrou o tempo de 2h06min05s na Maratona de Berlim, na Alemanha — feito classificado sob a denominação técnica de melhor marca, em virtude das variações de percurso características das provas de maratona.
A trajetória nacional de recordes mundiais no atletismo teve início na década de 1950 com Adhemar Ferreira da Silva. O especialista no salto triplo estabeleceu a primeira marca em São Paulo, ao alcançar 16,00 metros em 1950, dois anos antes de conquistar o primeiro de seus dois ouros olímpicos (Helsinque 1952 e Melbourne 1956). O atleta paulista, falecido em 2001, superou a própria marca em mais quatro ocasiões: 16,01 metros em 1951, 16,12 e 16,22 metros em 1952, e 16,56 metros em 1955.
A tradição brasileira no salto triplo produziu outros dois recordistas mundiais. Nos Jogos Olímpicos da Cidade do México, em 1968, Nelson Prudêncio assumiu momentaneamente o topo do mundo ao saltar 17,27 metros na final. Sua marca permaneceu como recorde por poucos minutos, até que o soviético Viktor Saneyev atingiu 17,39 metros, garantindo a medalha de ouro e deixando o brasileiro com a prata. Em 1975, também na Cidade do México, durante os Jogos Pan-Americanos, João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, saltou 17,89 metros, conquistando a medalha de ouro e gravando seu nome na história dos recordes mundiais.
A nova marca de Alison dos Santos passa a integrar a cronologia oficial dos feitos mundiais do atletismo brasileiro, iniciada por Adhemar Ferreira da Silva (16,00m em 1950, 16,01m em 1951, 16,12m em 1952, 16,22m em 1952 e 16,56m em 1955), seguida por Nelson Prudêncio (17,27m em 1968), João Carlos de Oliveira (17,89m em 1975) e Ronaldo da Costa (2h06min05s em 1998).
Fonte: ge.globo.com / ge
