Após dois anos de reforma, MAM de São Paulo retoma atividades no Ibirapuera com foco na produção contemporânea nacional
Com investimento de R$ 21,55 milhões, instituição reabre as portas trazendo a mostra "39.º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito" e infraestrutura modernizada

O Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, instituição que se aproxima de seus 80 anos de história, reabre as suas portas após passar dois anos sem sede devido a uma ampla reforma estrutural. O retorno às atividades no Parque Ibirapuera é marcado pela inauguração do “39.º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito”. Sob a curadoria de Diane Lima, a exposição reúne trabalhos de 33 artistas contemporâneos do país, propondo um olhar descentralizado e diverso sobre a produção artística nacional recente.
A reestruturação física e tecnológica do museu demandou um investimento de 21,55 milhões de reais (cerca de 3,64 milhões de euros), viabilizado majoritariamente pelo poder público local, além de doações de pessoas físicas e empresas. As melhorias incluíram a instalação de novos sistemas de controle de umidade e temperatura, adequando a instituição para receber grandes exposições internacionais. O espaço físico também foi expandido e agora conta com uma nova área para oficinas educativas, biblioteca, auditório, restaurante, loja e recepção.
De acordo com o curador-chefe do MAM, Cauê Alves, a modernização predial visa estreitar os laços com os frequentadores do Parque Ibirapuera — que registra um fluxo anual de mais de 18 milhões de visitantes — e ampliar o acesso de públicos diversos, como crianças, idosos, adolescentes e grupos escolares. Alves destaca o simbolismo de devolver à cidade um museu tecnológico e conectado com a atualidade, definindo o MAM como um espaço do presente, capaz de projetar caminhos futuros para a arte contemporânea.
A mostra inaugural, que permanece em cartaz até janeiro, dá continuidade à trajetória do Panorama da Arte Brasileira, cuja primeira edição ocorreu em 1969. Para a curadora Diane Lima, a oportunidade de conceber esta edição representa também um momento de reescrita da própria trajetória do MAM no cenário cultural. A seleção dos artistas baseou-se em um mapeamento focado na diversidade territorial, cultural, social, de gênero e étnico-racial, com atenção especial às regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
As obras expostas abrangem linguagens diversas, como pintura, escultura, instalação, desenho e vídeo. Segundo a curadoria, os trabalhos são interligados por um esforço coletivo de libertação que busca desorganizar classificações tradicionais da história da arte, como as categorias de arte popular, naïf ou manicomial. A exposição propõe um exercício de imaginação por meio de formas descritas como porosas, oceânicas e monstruosas.
Entre as produções apresentadas, destacam-se as obras de Allan Weber, que utiliza câmeras fotográficas antigas modificadas em formato de armas para propor reflexões sobre vigilância, violência, imagem e memória. O artista Marcelo Conceição exibe esculturas elaboradas a partir de objetos cotidianos e descartados, recolhidos em feiras e ruas do Rio de Janeiro, como madeiras, búzios, chaves, botões e bijuterias. Já o Projeto Parede recebe uma instalação sonora inédita de Anti Ribeiro, construída com estruturas metálicas e alto-falantes obtidos em ferros-velhos.
Fonte: comunidadeculturaearte.com / Comunidade Cultura e Arte
