Planalto anuncia R$ 235,8 milhões para recuperação ambiental e gestão territorial na Amazônia
Recursos serão destinados a projetos no Pará e na Amazônia Legal; governo também oficializou novas reservas sustentáveis e ampliação de parque nacional
Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, o governo federal anunciou o repasse de R$ 235,8 milhões para três novas frentes de conservação, restauração ecológica e fomento ao desenvolvimento sustentável na Amazônia. O anúncio ocorreu nesta terça-feira, 8, durante o evento “Amazônia Protegida: Novos territórios para conservação e desenvolvimento sustentável”, realizado em alusão ao Dia da Amazônia.

A maior parcela dos recursos, correspondente a R$ 180 milhões provenientes do Fundo Clima, será direcionada para a recuperação de 10.346 hectares na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, localizada entre os municípios de Altamira e São Félix do Xingu, no sudoeste do Pará. Integrada a uma concessão florestal pública estadual estruturada pelo Governo do Pará, a iniciativa prevê um investimento global de cerca de R$ 257 milhões. O projeto de restauração utilizará aproximadamente 200 toneladas de sementes de mais de 50 espécies nativas, combinando semeadura direta, plantio e regeneração natural. A meta estimada é a captura de 4,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente ao longo dos 40 anos de vigência da concessão.
Outra iniciativa contemplada é o projeto Naturezas Quilombolas, que receberá R$ 50,5 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Amazônia. Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o projeto visa fortalecer a gestão territorial e ambiental em mais de 16 territórios quilombolas situados na Amazônia Legal. A execução dos trabalhos, planejada para durar 60 meses, ficará a cargo da Fundação Guamá, contando ainda com a parceria dos ministérios da Igualdade Racial (MIR) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
O BNDES também divulgou a destinação de R$ 5,3 milhões, por meio do edital Floresta Viva, para ações de restauração na Bacia do Rio Xingu II, abrangendo áreas no Pará e em Mato Grosso.
Paralelamente, o evento formalizou o início das atividades de seis Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia (NDS), com um aporte de R$ 70,2 milhões (sendo R$ 11,7 milhões para cada unidade). Financiados pelo governo da Alemanha por meio do banco de desenvolvimento KfW, os núcleos funcionarão como arranjos de governança unindo comunidades locais, empresas comunitárias e o setor público. A iniciativa faz parte do programa Prospera Sociobio, instituído pelo MMA em novembro de 2025 para impulsionar o Plano Nacional de Desenvolvimento da Sociobioeconomia (PNDBio). A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) será a implementadora do projeto, que tem prazo de execução de 48 meses.
Os núcleos estão distribuídos em diferentes pontos da região e serão coordenados por entidades locais: em Altamira (PA), pela Associação dos Moradores da Reserva Extrativista do Iriri (Amoreri); em Portel (PA), pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB); em Salgado-Bragantino (PA), pelo Instituto Peabiru; em Juruá-Tefé (AM), pelo Instituto Juruá; em Macapá (AP), pelo Instituto Mapinguari; e em Rio Branco e Brasiléia (AC), pela SOS Amazônia.
Durante a solenidade, foram assinados decretos para a criação de quatro novas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) no estado do Amazonas, voltadas à preservação de ecossistemas florestais e aquáticos. As novas áreas protegidas são a RDS Tupana Igapó-Açu I (em Borba, com 114.076 hectares), RDS Tupana Igapó-Açu II (em Beruri e Tapauá, com 422.100 hectares), RDS Canaã (em Careiro e Autazes, com 109.607 hectares) e RDS Mirari (em Humaitá, com 22.775 hectares).
Adicionalmente, um decreto expandiu o Parque Nacional de Sete Cidades, situado nos municípios de Brasileira e Piracuruca, no Piauí. A unidade de conservação recebeu um acréscimo de 7.192 hectares, passando a totalizar 13.502 hectares. A medida visa resguardar ecótonos e espécies sob ameaça de extinção, além de incentivar a atividade turística na região.
Fonte: paraterraboa.com / Pará Terra Boa
