Apenas a mãe deve ser responsabilizada? O impacto da ausência paterna na proteção de crianças e adolescentes

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Debate reflete sobre a divisão de responsabilidades no cuidado infantil, o papel dos serviços públicos e a atuação do Grupo Aconchego

No dia 3 de agosto, às 9h, a temática “Por que ainda culpamos apenas as mães? O apagamento da figura paterna na proteção da infância” coloca em pauta a sobrecarga materna e a pouca participação dos pais no desenvolvimento e na criação de filhos. Em situações de negligência, vulnerabilidade social ou violação dos direitos de crianças e adolescentes, a cobrança pública recai com frequência sobre a figura materna, desconsiderando a co-responsabilidade paterna na educação e proteção dos menores.

A assimetria no cuidado reflete-se no cotidiano da rede de proteção à infância, onde muitas mulheres recorrem aos serviços públicos desacompanhadas, assumindo sozinhas os deveres operacionais do lar. O cenário tende a se agravar quando essas mães enfrentam instabilidade financeira e falta de redes comunitárias e familiares de apoio.

De acordo com Maria da Penha de Oliveira, psicóloga e coordenadora do Grupo Aconchego, a expectativa social predominante atribui à mulher a responsabilidade central pelo bem-estar dos filhos. A especialista aponta que, diante de sobressaltos no processo formativo da criança, a conduta materna é prontamente questionada, enquanto a omissão do pai raramente é trazida para o debate. Para a psicóloga, a proteção da infância demanda um compromisso efetivamente compartilhado.

A centralização da responsabilidade nas mães também prejudica a leitura das causas estruturais da vulnerabilidade, gerando o risco de individualizar os problemas sociais na figura materna. Sob a perspectiva da corresponsabilidade parental, a função do pai vai além do sustento financeiro e abrange a presença na rotina, o acompanhamento escolar, a atenção ao desenvolvimento emocional e a participação nas decisões da vida infantil.

Nos casos acompanhados pelos serviços de proteção, como nas situações em que há necessidade de afastamento temporário da criança do convívio familiar, a avaliação técnica busca examinar a rede de vínculos de todos os adultos envolvidos, sem restringir a análise à capacidade da mãe. A inclusão ativa dos pais nas estratégias de acompanhamento e o fortalecimento de políticas públicas de orientação parental buscam incentivar o exercício da paternidade e a construção de vínculos afetivos, evitando a simples transferência de acusações e visando ao interesse da criança.

O debate propõe a desconstrução da ideia de que o cuidado é um papel exclusivamente feminino e a paternidade uma função complementar. Fundado em dezembro de 1997, o Grupo Aconchego é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua em defesa do direito de crianças e adolescentes em acolhimento familiar e institucional à convivência familiar e comunitária. Filiado à Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção (ANGAAD), o organismo é reconhecido como referência em Brasília e possui projeção nacional no desenvolvimento de tecnologias sociais direcionadas à garantia dos direitos infantojuvenis e à transformação cultural, defendendo uma articulação contínua entre família, sociedade e Estado.


Fonte: radardigitalbrasilia.com.br / RADAR DIGITAL BRASÍLIA

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