Inflação abaixo do esperado amplia espaço para corte da Selic em agosto

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IPCA avançou 0,16% em junho, abaixo das projeções do mercado, e levou instituições financeiras a rever as estimativas para os juros até o fim de 2026.

A inflação de junho alterou as expectativas do mercado financeiro para os próximos passos da política monetária brasileira. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16%, enquanto as projeções variavam entre 0,31% e 0,36%. Com o resultado, voltou a ganhar força a possibilidade de redução da taxa Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom).

O índice acumulado em 12 meses recuou de 4,72% para 4,64% e voltou a se aproximar do teto da meta de inflação, estabelecido em 4,5%. A taxa básica de juros permanece em 14,25% ao ano.

Após a divulgação do IPCA, o Bank of America modificou sua projeção para a próxima reunião do Copom. A0instituição, que anteriormente esperava a manutenção dos juros, passou a prever um corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic para 14% ao ano.

O BTG Pactual também revisou suas estimativas. O banco passou a projetar duas reduções de 0,25 ponto percentual até dezembro, com a Selic encerrando 2026 em 13,75%. Antes, a instituição considerava que a taxa permaneceria em 14,25%.

O Goldman Sachs mantém uma avaliação mais cautelosa e prevê apenas um corte de 0,25 ponto percentual. A instituição considera limitado o espaço para novas reduções, embora avalie que os dados econômicos estejam voltando a favorecer uma flexibilização gradual dos juros.

O desempenho de junho foi influenciado pela redução dos preços no grupo de alimentação e bebidas. Após os aumentos registrados em maio, produtos como tomate e batata ficaram mais baratos, dentro de um movimento de queda que alcançou diferentes alimentos.

A energia elétrica não apresentou novas pressões, devido à manutenção da bandeira tarifária amarela. Os serviços também tiveram menor impacto sobre a inflação do período.

No mercado internacional, a queda do preço do petróleo contribuiu para diminuir os riscos de novos aumentos nos custos de transporte e produção. A cotação da commodity se aproximou dos níveis anteriores ao conflito entre Estados Unidos e Irã.

Os indicadores que medem a disseminação dos reajustes também apresentaram melhora. A média dos núcleos da inflação, que excluem itens sujeitos a variações mais intensas, caiu de 0,45% para 0,21%.

O índice de difusão, que indica a proporção de produtos e serviços que registraram aumento, recuou de 65% para 53,6%. O dado mostra que as altas atingiram uma parcela menor dos itens pesquisados.

As instituições financeiras ainda apresentam diferentes projeções para a Selic ao fim de 2026. JP Morgan e Inter estimam uma taxa de 13,25%, enquanto BB Investimentos e Safra projetam 13,50%.

BTG Pactual, Santander, Bradesco e Itaú trabalham com uma Selic de 13,75%. XP Investimentos, C6 Bank, Bank of America e Goldman Sachs estimam 14%. Já Genial Investimentos, Citi, ASA e HSBC preveem a manutenção da taxa em 14,25%.

Mesmo com o resultado abaixo do esperado, o Bank of America manteve sua projeção de inflação de 5,5% para 2026. A instituição, porém, passou a considerar maior a possibilidade de o IPCA terminar o ano abaixo dessa estimativa. A continuidade da desaceleração nos próximos meses deverá determinar o ritmo de eventuais cortes da Selic.

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